Casório

Casório

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Somos perseguidos?

Hoje, ao celebrarmos a memória dos Santos Protomártires da Igreja de Roma, cabe a nós uma reflexão, que se torna muito atual: estaremos, nós, cristãos, sofrendo nos tempos atuais perseguição, por motivos de nossa fé? Uma resposta a esta pergunta de grande gravidade mostra-se de resposta bastante complexa. É claro que a resposta se torna mais fácil quando o nosso olhar se volta para algumas partes do mundo, onde milhares de cristãos estão sendo dizimados, tendo suas Igrejas queimadas, sendo sequestrados, massacrados e muitas vezes mutilados ou até mesmo mortos, simplesmente pelo fato de serem cristãos. Mas... e aqui?
Vivemos em um país onde a liberdade religiosa é assegurada pela Constituição e temos plena liberdade de culto. Ontem mesmo pudemos ir às ruas celebrar o nosso Padroeiro, São Pedro, com a presença de autoridades civis e militares, além do apoio logístico do Poder Público, para que a Festa ocorresse de forma tranquila e segura. Então, a resposta é bastante tranquila... não somos perseguidos... Mas, será que é assim mesmo?
A liberdade religiosa é, de fato, uma realidade. Entretanto, é imperativa a constatação de que, embora o nosso país seja formado por um povo profundamente religioso, os tempos atuais estão totalmente contagiados por uma mentalidade secularizada, que vai, aos poucos, corroendo os valores mais profundos da vida humana e social, que foram sendo cultivados ao longo de séculos de tradição cristã. A negação desses valores fundamentais da vida humana coloca em risco a própria existência digna das pessoas, que deixam de ser vistas de um modo global, passando a ser tratadas apenas como peças numa engrenagem totalmente desumanizadora. Uma compreensão do ser humano sob este ponto de vista secularizado, levado a extremos, permite e até mesmo provoca o aparecimento de ideologias como o Nazismo e outras do mesmo nível, que foram e são causadoras de dor, sofrimento e morte.
A busca de conforto, alimento e saúde deve ser levada muito a sério. Todas as pessoas têm o direito a esses elementos para que encontrem a felicidade e a plena realização. Os planos de governos, bem como nossas instituições devem buscar servir especialmente aqueles que estão em situação de vulnerabilidade. Inclusive, é bom constatar, a Igreja Católica, desde as suas origens, sempre teve um cuidado muito especial pelos mais desfavorecidos. Porém, de nada adianta oferecer os confortos necessários para quem deles necessita se não oferecermos, também, o conforto da fé. Uma pessoa que vive numa situação limite de grave enfermidade ou avançada idade precisa do cultivo da sua fé para poder enfrentar os desafios que essa situação impõe, pois sem a fé, o que resta senão o desânimo, a desesperança e até mesmo o desespero? As sociedades mais desenvolvidas, seja no uso da tecnologia, seja no alto nível de vida social e econômica são as que têm os mais altos índices de suicídio, justamente porque as pessoas não cultivaram os valores espirituais, que dão sentido último à existência.

Portanto, a mentalidade secularizada não consegue compreender a importância da experiência da fé na vida das pessoas, especialmente naquelas que se encontram em situações limites. Nessa mentalidade, o trabalho da Igreja é visto como um entrave, que deve ser descartado. Somos olhados com certa desconfiança e uma fria indiferença. Talvez não sejamos mais torturados ou mortos e, portanto, não podemos nos considerar perseguidos. Mas a indiferença torna-se pior que a perseguição, pois impede qualquer forma de diálogo em vista da contribuição que o Cristianismo tem a oferecer na vida de tantas pessoas.

terça-feira, 13 de junho de 2017

PHS (Por hoje SIM)

      
     Na Canção Nova, há anos, existe uma sigla que marcou toda uma geração: PHN (Por hoje não). Muitos jovens têm procurado viver essa sigla como uma proposta de só por hoje não pecar. Isso significa dizer não a tudo o que afasta de Deus. Hoje, a Liturgia da Palavra nos mostra uma outra sigla: PHS (Por hoje sim). A que sim se refere a Palavra de Deus hoje? Ao Sim que Deus dá a nós, por meio de Jesus Cristo. Este Sim que foi dado no momento em que fomos pensados, sonhados e gestados por Deus. Este Sim que foi dado a nós no momento da Encarnação do Verbo, no momento da nossa Redenção, pelo Sacrifício de Cristo na Cruz por nós. Deus sempre disse e diz Sim a nós, por Amor. 
      A felicidade humana é o sonho de Deus. Dizer sim a Deus é a maior e melhor forma de podermos nos realizar como pessoas humanas. Quando dizemos não a Deus, estamos frustrando este plano salvífico dele e a nossa vida perde o seu sentido. Os grandes santos foram pessoas que viveram de modo belíssimo o sim a Deus e, por isso, são apresentados a nós como modelos. 
     Santo Antônio viveu intensamente o seu sim a Deus, numa vida curta, de apenas trinta e seis anos. Foi sal da terra e luz do mundo para a sua geração. Infelizmente, o folclore popular tirou de sua vida (assim como o caso de São João Batista e São Pedro) toda a riqueza espiritual que ela possui. Por que ele é o "santo do pãozinho bento"? Porque tinha grande amor pelos pobres, a quem alimentava com os pães que estavam na despensa do seu convento. Por que ele é o "santo casamenteiro"? Porque ele ajudava as jovens pobres a ter recursos para poderem pagar o seu dote de casamento. Ele amou. Ele deu o seu sim a Deus e aos seus semelhantes. Ele foi sal da terra e luz do mundo. 

domingo, 11 de junho de 2017

Amor missionário

Amor missionário

1.      “Quem, um dia, experimentou o Reino de Deus e se deixou encantar por ele, perdeu o direito de viver descansado”. Esta frase de São Bernardo de Claraval atravessou os séculos e chegou até nós. Somos convidados, agora, a um olhar para a figura do Apóstolo São Paulo. Paulo (que antes do Batismo tinha o nome de Saulo) era um jovem fariseu, discípulo de Gamaliel. Homem extremamente culto tinha, porém, um temperamento bastante forte e, de certo modo, difícil. Como bom fariseu, detestava Jesus e seus seguidores, embora não conste que eles tenham convivido. Seu encontro com Jesus se deu numa visão, quando estava indo a Damasco para perseguir e prender os cristãos. Convertido com este encontro com o Ressuscitado, Paulo torna-se cristão e, logo a seguir, missionário em todos os cantos do Império Romano. Paulo foi o maior missionário que a Igreja teve em seus quase vinte e um séculos de existência.
2.      Se o ódio havia feito de Paulo um perseguidor com forte convicção, o Amor faz de Paulo um missionário. Ele não mede esforços por fazer o Evangelho ser divulgado nos mais distantes cantos, mesmo à custa de cansativas viagens e de perigos constantes. “Ai de mim se não anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16)! Paulo tem plena consciência da missão recebida e da sua imensa responsabilidade.
3.      Nós, um dia, fomos batizados. Recebemos a Trindade dentro de nós e nos tornamos templos de Deus. Todas estas Graças nos colocaram na mesma situação de Paulo. “Somos todos batizados; somos todos missionários”! Por isso, o Amor de Deus em nós nos impele a ir ao encontro dos outros para anunciar também a eles o Amor de Deus manifestado por meio de Cristo. E é muito importante saber que a correspondência a essa Graça vai tornar-se, para nós, alegria plena  e Salvação eterna.
4.      Dentro dos limites de nossa comunidade eclesial existem pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer Jesus Cristo e a sua proposta salvadora? A essas pessoas somos enviados a levar o Amor de Deus e a proposta de Jesus. É claro que não iremos cair numa atitude proselitista, mas dialogal, apresentando Jesus como aquele que tem uma proposta de vida e de felicidade plena para todos. Num mundo onde cada vez mais pessoas vivem a tristeza da solidão, dizer a elas que a nossa comunidade cristã está aberta para acolher e amar a todos os que chegarem torna-se uma verdadeira urgência.
5.      O Bem Aventurado Charles de Foucauld, falecido há cem anos, afirmava que nós, cristãos, precisamos “gritar o Evangelho com a vida”. O que isso significa para uma Paróquia e para uma comunidade eclesial? Significa que precisamos vivenciar de tal modo a dimensão da acolhida e do Amor que todos os que achegarem até nós deverão ficar encantados e atraídos pelo Deus que nos chama e nos torna Um. Assim sendo, nós precisamos ser uma Igreja de portas abertas, pronta para acolher a todos. Precisamos ser uma Igreja em Saída, pronta para botar o pé no barro, sujando nossos pés, em busca das ovelhas dispersas. Não somos um clubinho, uma associação, nem mesmo uma família, porque esses conceitos são fechados. É claro que é agradável conviver com os irmãos e irmãs de caminhada. É fundamental que tenhamos momentos assim. Mas, o Senhor nos impele para irmos para águas mais profundas, o que vai exigir de nós sairmos de nosso comodismo e de nossa inércia, para levarmos adiante a Boa Notícia do Evangelho. Façamos isso por amor a Deus e por amor aos irmãos e irmãs que tanto precisam disso.

O amor ao próximo na Comunidade Eclesial

O amor ao próximo na Comunidade Eclesial


1.      “Homem algum é uma ilha”. Esta frase famosa, do monge Thomas Merton, expressa uma das características fundamentais do ser humano: o fato de sermos seres comunitários. Entre a herança que recebemos do nosso Pai-Deus está esta necessidade de complementação. Somos seres complementares e a nossa realização se dá dentro desta característica tão importante.
2.      Jesus assume toda a realidade humana para redimi-la. Inclusive a realidade da família, da comunidade, do agrupamento. Vive com José e Maria como uma pequena comunidade doméstica. Participa dos atos comunitários da fé judaica, como a participação aos sábados, das atividades da Sinagoga ou até mesmo a ida em Peregrinação ao Templo de Jerusalém. Ao começar a sua vida pública, Jesus forma um pequeno grupo de doze homens, seus discípulos, que deixam tudo para segui-lo. A este grupo somam-se inúmeras pessoas, homens e mulheres, que convivem com Ele e aprendem com seus ensinamentos.
3.      Portanto, a novidade que o Cristianismo aprendeu de seu Mestre consiste no fato de ser uma proposta de religião profundamente comunitária, superando laços de consanguinidade, bem como de pátria ou cultura. Pela primeira vez na história da humanidade, religião não se confunde com laços estranhos à fé. O Cristianismo é uma religião universal, formada por comunidades de pessoas fieis a Jesus Cristo e à sua proposta de vida.
4.      A comunidade dos primeiros discípulos tornou-se a primeira experiência concreta da proposta de vida de Jesus. Ali, ainda nos primeiros dias após Pentecostes já procuravam vivenciar o Evangelho na prática comunitária, dando especial atenção aos mais pobres e necessitados, repartindo entre si os seus bens (cf. At 2,45). Logo surge a instituição dos diáconos, para o serviço às mesas, especialmente dando atenção aos órfãos e viúvas, que eram os mais pobres entre os pobres (cf. At 6,1-6).
5.      O amor praticado entre os primeiros cristãos acontecia ao natural, uma vez que na comunidade todos estavam cheios do Espírito Santo. Aqui encontramos o segredo do sucesso estrondoso da primitiva comunidade eclesial: o Espírito Santo. Se Deus é amor, o cristão e a comunidade cristã, animados pelo Espírito de Deus, terão no seu DNA o amor. A comunidade se torna, então, o local privilegiado de treinamento do Mandamento Novo de Jesus, o “amai-vos como eu vos amei” (Jo 15,12).
6.      “A Igreja-comunidade é ícone da Trindade”. Este foi o tema da minha dissertação de Mestrado. O que significa ser ícone? Na Teologia e espiritualidade do Oriente, o ícone é uma representação de alguém através de uma pintura. É mais do que uma pintura ou imagem religiosa para nós, no Ocidente. Não chega a ser uma presença real, como no caso da Eucaristia, mas é uma certa “forma” de presença espiritual. Inclusive, a elaboração de um ícone requer um caminho espiritual feito pelo autor. Quando afirmamos que a Igreja é ícone da Trindade, estamos dizendo que ela traz em si a característica da Trindade, enquanto Mistério de Comunhão e Amor. Esta característica não provém do esforço humano que fazemos, mas é dom de Deus e ação do Espírito Santo, enquanto Alma da Igreja. Por isso o ser comunidade não é algo apenas “institucional” na vida da Igreja, mas faz parte do seu ser e da sua vocação.
7.      Por isso, naturalmente, em nossas comunidades vivemos o Mandamento Novo do Amor. E, se não estivermos vivenciando isso, então deveríamos fazer um sério exame de consciência para podermos pedir perdão a Deus pelo nosso fechamento à ação da sua Graça e do seu Espírito. Sem o Mandamento do Amor vivenciado, nós nos tornamos uma instituição morta, uma ONG piedosa, um corpo sem alma, um defunto-vivo... Por isso, é fundamental voltarmos ao Cenáculo com Maria, Mãe da Igreja, para pedirmos a Graça de um Novo Pentecostes em nossa Paróquia e comunidades, a fim de que o Mandamento Novo se torne algo que naturalmente vivenciamos, tornando-nos, assim, um modelo de vida para o povo que mora ao nosso redor e que, olhando para nós, possa dizer: “Vede como eles se amam”!

O Amor de Deus e a Deus

Hoje tivemos o Retiro Paroquial da Paróquia São José Operário. Foi uma imensa alegria poder pregar esse Retiro, reencontrando tanta gente querida, que fez parte da minha vida durante seis anos e meio. Aqui partilho a primeira Meditação deste Retiro.


O Amor de Deus e a Deus

1.      Somos amados por Deus. Esta é uma certeza que nos vem da fé e da própria Revelação de Deus. Amados por Deus, fomos desde toda a eternidade conhecidos e escolhidos por Ele para sermos seus filhos e filhas. São João nos diz, na sua primeira carta: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus. E nós o somos” (1Jo 3,1)! Esta certeza do Amor que Deus tem por nós nos dá uma alegria indescritível e tira de nós toda e qualquer possibilidade de frustração. Quem sabe ser amado por Deus não tem somente a certeza do céu, mas traz o céu dentro de si. Como diria Chiara Lubich, “sua vida é antecipação do Paraíso”.

2.      A filiação traz consigo direitos e deveres. Direitos: um filho ou filha tem o direito de ser cuidado desde a sua gestação por seus pais. Desde que nasce, tem o direito à vida, à alimentação, à saúde, educação, lazer, etc... O filho ou filha se torna herdeiro dos bens dos pais. Herda desde o DNA a até mesmo os bens que os pais possuem. Com relação à nossa filiação divina, acontece a mesma coisa: somos filhos e filhas, temos o DNA de Deus, somos semelhantes a Ele e seus herdeiros de todas as coisas que Ele possui, isto é, tudo.

3.      Mas, igualmente, a filiação traz deveres e obrigações. Como filhos e filhas, carregamos ao longo de nossas vidas o dever de respeitar, ouvir e obedecer ao nosso Pai-Deus. Isto significa que nossa relação com Ele deve ser a de obediente escuta da sua Palavra e fiel observância do que Ele nos pede. A atitude orante e adorante deve fazer parte do nosso cotidiano, para que a nossa relação com Deus se torne algo familiar e nos traga paz. Deus não precisa da nossa oração ou adoração: nós é que precisamos dela. A fonte de todos os problemas da humanidade está na ausência do cultivo de uma relação orante e adorante com Deus. Se eu não cultivo a minha filiação divina, então sou o mais infeliz dos homens, porque sou órfão. Isto cria em mim um vazio interior que jamais vai ser preenchido. E as tentativas de preencher esse vazio interior geralmente são frustradas, causando a mais terrível das “pobrezas”: sem um Pai-Deus, não me sinto herdeiro de nada e nem sou irmão de ninguém.

4.       Deus jamais deixa de nos amar. Seu Amor por nós é incondicional. O impedimento de esse Amor chegar até nós não é colocado por Ele, mas por nós. Uma das mais belas características do Amor de Deus consiste no respeito que tem por seus filhos e filhas e pela liberdade que dispomos. Afinal, a liberdade é uma característica divina que herdamos dele: somos livres para fazer escolhas, optando, inclusive, por não amar a Deus. O mau uso desta liberdade traz consequências funestas para a vida humana.

5.      “Ausência do cultivo de uma relação orante e adorante com Deus”... Esta ausência de relação com Deus não se dá porque nós sejamos ateus ou porque nós o rejeitamos em nossa vida. Simplesmente não acontece por causa de nossa mais absurda indiferença. Se Deus existe ou não tanto faz. Aliás, é mais terrível uma atitude indiferente do que adversária. “Conheço a tua conduta. Não és frio, nem quente. Oxalá fosses frio ou quente. Mas, porque és morno, nem frio ou quente, estou para vomitar-te da minha boca” (Ap 3,16).

6.      Portanto, escolher a Deus é fazer uma escolha vital. Da mesma forma que não podemos escolher se vamos respirar ou não, se o nosso coração vai pulsar ou não, a escolha por Deus é essencial para a nossa vida e felicidade. Por que buscamos ter uma vida espiritual? Por que saímos de nossas casas a cada sábado ou domingo, para participarmos de nossas celebrações dominicais? Simplesmente porque descobrimos que a relação com o nosso Pai-Deus é como o ar que respiramos, percebendo que a nossa felicidade e realização de nossa vida está em dar esse espaço para Ele.

7.      O primeiro passo que somos chamados a dar neste dia de Retiro consiste em olhar para a nossa história de Amor com Deus: como começou, quem O apresentou a nós, de que forma fomos aprendendo a dar esse espaço a Ele em nosso tempo... Vamos parar um  tempinho para recordar e para dizer a Deus o quanto nós O amamos e o quanto Ele é importante para a nossa vida. 

terça-feira, 6 de junho de 2017

O Mistério da Trindade e nós



            A Igreja celebra no próximo Domingo a Solenidade da Santíssima Trindade. Esta Solenidade nos coloca diante do mais insondável Mistério de Deus, Mistério este diante do qual não nos resta senão calar e contemplar. 
Desde pequenos aprendemos a cultivar a fé no Deus Uno e Trino, Pai, Filho e Espírito Santo. Esta Profissão de Fé é reafirmada em cada momento de oração, pelo tradicional “Sinal da cruz” ou em diversas formas de oração, como o Glória ou ainda o Credo.
A Doutrina da Trindade consiste num vislumbrar à luz da Fé o Mistério revelado de Deus. É a confissão de fé no Deus de Jesus Cristo, revelado como o Mistério de Amor oferecido à humanidade. Este Mistério revelado torna-nos participantes da vida divina mediante o poder do Espírito Santo. É claro que por ser Mistério, nunca será plenamente compreendido, pois Deus sempre é muito mais do que os nossos raciocínios. Somente utilizando comparações é que poderemos perceber tal Mistério.
Compreender a Trindade, ainda que de modo limitado, é importante para que possamos compreender a nós mesmos, pois por sermos imagem e semelhança de Deus, suas características tornam-se também nossas. Homem algum é uma ilha: sua vocação é para o amor e a comunhão. Desde o nosso nascimento necessitamos da ajuda de outras pessoas para poder viver e crescer. Sem a ajuda de nossos pais morreríamos poucas horas após nosso nascimento. Sem a ajuda de outras pessoas ficaria impossível a continuação de nossa existência. Somos seres chamados à comunhão de vida e de amor. Porém, ao mesmo tempo, somos seres únicos e irrepetíveis. E esta dupla realidade (somos ao mesmo tempo únicos e chamados à comunhão) torna-nos ícones da Trindade.
Em Deus, as três Pessoas divinas existem em plena unidade de amor. Esta unidade, porém, não significa uniformidade e a diversidade não afeta a unidade, pois o Pai, o Filho e o Espírito Santo não deixam de ser aquilo que são para viverem em unidade entre si. Por isso, podemos dizer que a Trindade é o mais perfeito e acabado modelo de comunidade e é a mais bela família. Pelo nosso Batismo nós fazemos parte desta família divina, uma vez que fomos adotados como filhos, por meio do Filho, Jesus Cristo, nosso Salvador. Viver como filhos e filhas de Deus em comunidade é a nossa vocação. Se o pecado tira do ser humano a capacidade de amar e de viver a comunhão com Deus e com o seu semelhante, a busca da Graça de Deus recoloca-nos na trilha de nossa vocação. E a nossa vocação é viver em Deus. Portanto, que a contemplação do Mistério de Deus Uno e Trino, nos leve a buscar viver a nossa vida em comunhão com Ele e com os irmãos. Nesta comunhão encontraremos a nossa plena felicidade.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A busca de sentido para a vida


              “Todos buscam o sentido da vida. Ver um sentido nas coisas significa achar que a vida tem uma causa, uma finalidade, uma razão. É ter um motivo para viver, algo para realizar  - ser feliz, construir um mundo melhor, amar as pessoas e promover a justiça entre elas.
                Mesmo assim, a pergunta é difícil e as respostas são muitas, às vezes contraditórias. Para uns, quem dá sentido à vida humana é Deus; para outros, é o próprio ser humano; alguns, ainda, acreditam que a vida simplesmente não tem sentido.
                Mas a maioria das pessoas não consegue viver sem algum tipo de ideal ou sem um sentido para a vida. As religiões procuram justamente explicar que sentido é esse. Com isso, elas trazem conforto, esperança, bem-estar, felicidade, otimismo e ações positivas.” (Incontri, D.-Bigheto, A, Todos os jeitos de crer, vol. 4, Ed. Ática, 2010, pág. 50).
                Alguns encontram, ainda, o sentido para a sua vida através de algum ideal de existência, seja na entrega a alguma causa social, política ou cultural. Existem pessoas que se dedicam tanto a alguma causa que toda a sua existência fica marcada por isso, de tal modo que não conseguiriam viver e encontrar a felicidade sem isso. Todo o seu tempo é dedicado àquilo que buscam como ideal de vida. Por exemplo, inúmeros atletas olímpicos dedicaram boa parte de sua infância e juventude a estafantes treinamentos, com o sonho de ganhar alguma medalha olímpica. Outros, dedicam-se com entusiasmo a alguma causa, defendida por alguma forma de organização não-governamental e são capazes de brigar por suas ideias. Seja como for, o importante é ter uma motivação que dê um sentido à sua existência.
                O grande problema do mundo de hoje é a multiplicação de coisas que ocupam o nosso tempo e que não nos oferecem ideal algum. Podemos passar pela vida toda sem o cultivo de algo que se torne essencial para nós. Acordamos, estudamos, trabalhamos e voltamos para casa para dormir fazendo coisas de modo mecânico, sem pensar ou sem se apaixonar por nada. Agir mecanicamente é encontrar a própria frustração naquilo que se faz, perdendo, assim, o sentido da própria felicidade. “É maravilhoso poder olhar para trás e perceber que se marcou os passos na vida de tantas pessoas” (D. Edmundo Kunz). É maravilhoso pode olhar para trás e ver que se construiu algo para deixar para as futuras gerações.

                É nessa perspectiva que podemos situar a religião. Ela não apenas nos oferece um bem estar espiritual, devido ao nosso contato com a divindade, mas nos proporciona a possibilidade de se descobrir um sentido maior para todas as coisas que fazemos. Uma pessoa que cultive a pertença a uma religião torna-se envolvida com ideais nobres e belos, fazendo da vida uma bonita aventura de descoberta de Deus e do próximo. Uma pessoa que cultive uma religião gosta de dedicar algumas horas de sua semana para Deus e para a comunidade de fé, não vendo nisso uma perda de tempo, mas um ganho para tornar-se melhor fazendo algo que gosta e que realiza. 

Fazer do tempo um aliado para os nossos sonhos



A duração da nossa vida não é por demais longa. Comparada aos bilhões de anos do universo, a vida humana é um sopro, quase nada. Portanto, não há tempo a perder para fazer com que os anos passados entre o nosso nascimento e a nossa morte possam valer a pena. Em geral perdemos muito tempo. Passamos a maior parte dos nossos dias vivendo em um ócio inútil. É verdade que às vezes é bom ter momentos de lazer, de diversão e convivência com os familiares e amigos. Mas, momentos são momentos. Também é importante salientar que perdemos boa parte do nosso tempo devido ao fato de não estarmos focados em objetivos que sejam determinados e determinantes em nossas decisões fundamentais. Se, por exemplo, eu quero ser médico no futuro, devo focar minha atenção nesse objetivo. Vou procurar ler sobre o assunto, vou procurar maiores informações sobre os ramos da medicina, vou caprichar nos estudos para ser um bom médico. Isso vale para qualquer área profissional e vocacional para a nossa vida.  Uma casa, para ser construída, precisa de alicerces. Hoje estamos construindo aquilo que desejamos ser amanhã. Se a “construção da casa” da nossa vida não tiver um bom alicerce, de nada adiantará construí-la, pois cairá na primeira tempestade.
Deveríamos nos perguntar a respeito dos nossos sonhos e ideais. O que pretendemos estar fazendo no ano de 2027? Como queremos estar, em termos familiares e profissionais? A resposta a essas perguntas nos ajudará a bem planejar a nossa vida, de forma que possamos correr atrás da realização desses objetivos. É claro que talvez ainda não tenhamos clareza a respeito do nosso futuro, mas é fundamental que desde já a realização do nosso futuro esteja no horizonte do nosso presente, para que não percamos tempo na busca de nossos sonhos.
A nossa vida possui diferentes aspectos que não podem nunca ser esquecidos. Temos uma família e devemos dedicar tempo para a convivência com eles. Temos responsabilidade com os nossos estudos, visando o nosso crescimento intelectual e uma futura vida profissional. Temos, ainda, nossos colegas e amigos, com quem gostamos de estar. E, é claro, não podemos nos esquecer de nosso lazer, tv, filmes, esportes, etc. É sempre bom, também, dar um espaço para Deus e a pratica da nossa religião. Por isso, a nossa vida deve ter todos esses aspectos presentes. Deixar um deles de lado faria de nós pessoas desorganizadas nos aspectos práticos, bem como sem saber quem somos, onde estamos e qual a direção da nossa vida. Como é o nosso dia-a-dia? O nosso tempo é bem dividido, de forma que o todo da nossa vida seja contemplado?

Vamos fazer a nossa vida valer a pena? Vamos torná-la uma coisa bonita de se ver e de se viver? Cada um tem o seu destino em suas mãos. O que fizermos dele é responsabilidade nossa. Será trágico chegar ao fim da vida e descobrir que não valeu a pena. Por isso, mãos à obra! Vamos começar a construir a casa da nossa vida, criando alicerces sólidos, que nos darão um amanhã formidável!

Missionariedade: o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo


O ser humano é ser em relação. Ele expressa aquilo que pensa, experimenta e sente. Ao comunicar-se, ele se coloca em relação com os demais, dando de si mesmo e recebendo e acolhendo aquilo que os demais pensam, experimentam e sentem. A medida de nossa alteridade é que vai dar a dimensão de nossa maturidade pessoal. Quanto mais maduros, mais estamos preparados para o relacionamento com os demais, saindo de nós mesmos e tornando-nos imagem e semelhança de Deus, que é a comunicação de si mesmo em plenitude. Em Deus nós encontramos o modelo do que somos chamados a ser.
O fechamento de si mesmo consiste na incapacidade de comunicação de si e de acolhida aos outros. Esse fechamento pode ser radical e doentio, mas geralmente acontece ao ficarmos apenas encasulados em nosso mundinho e fechados ao universo dos outros.
Compreendemos a missão da Igreja dentro desta perspectiva.
Missionariedade é:
a)      Sair de si mesmo para ir ao encontro dos outros;
b)      anúncio de Jesus Cristo e de sua mensagem salvadora
c)      entusiasmo que esse encontro com Cristo provoca em nós
d)     propaganda de que isso é algo muito positivo
Missionariedade não é:
a)      imposição de ideias
b)      falar mal da experiência dos outros

A diferentes formas de divulgação da mensagem de Jesus Cristo. Os discípulos, seguidores de Jesus, tornaram-se apóstolos, seus anunciadores. A comunidade primitiva de Jerusalém organizou novas comunidades, que logo se espalharam por todo o oriente e, por meio de Paulo, chegaram ao centro do Império Romano.
Durante os dois milênios do cristianismo, inúmeras pessoas tiveram a mesma atitude dos primeiros apóstolos: deixaram tudo (família, casa...) e foram para outros lugares e povos anunciar o Evangelho.
Hoje nós vivemos em tempos de “secularização”, ou seja, de abandono dos valores humanos e religiosos, que foram cultivados ao longo dos séculos. A religião se tornou algo apenas no âmbito privado, sem qualquer importância ou interferência para a vida da sociedade. Todas as realidades que fazem parte dos valores e virtudes que a religião promove foram abandonados, o que traz uma série crise de valores éticos e morais para a humanidade. Torna-se, portanto, urgente o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo como proposta de vida para o mundo. A missão, então, para os cristãos, acontece através do alegre testemunho do encontro com Jesus, que transforma a vida e faz surgir uma nova ética, através de atos de generosidade, gratuidade, honestidade e competência. Vendo o bom exemplo dos cristãos, a sociedade acabará sendo contagiada com a vivência desses valores e virtudes e acabará descobrindo a fonte que jorra essa novidade: Jesus Cristo, sua vida e ensinamentos. A ação do cristão na sociedade é semelhante ao papel do fermento no pão: não vemos, mas está sempre atuante, fazendo com que este cresça e tenha um bom sabor.

Rabisco de 2009 ainda muito atual


Rabisco de 27/07/2009
Chego em casa, vindo de mais uma reunião do Projeto Missionário Diocesano. Continuamos a andar às apalpadelas, sem rumo nem direção. A constatação dolorida é de que a missionariedade não está mais na ordem do dia, seja na cabeça de nossos pastores, seja na cabeça e no coração de nossas lideranças. Aliás, não sabemos nem o que se encontra na ordem do dia atualmente em nossa Igreja. As necessidades e desafios pastorais passam diante dos nossos olhos e corações numa rapidez vertiginosa: o Documento de Aparecida, com toda a sua riqueza teológico-pastoral, desapareceu na poeira de nossas estantes; o Ano Paulino, recém encerrado, não trouxe maiores repercussões, a não ser em alguma agências de turismo religioso; o Ano Catequético repercutiu no primeiro semestre em algumas almas heroicas de nossas catequistas; a juventude? Continua semimorta em nossas comunidades...
Não quero parecer pessimista ou ter que assumir uma atitude de padre velho, para quem nada mais dá certo no mundo de hoje e que vive num saudosismo de um passado que não vai mais voltar (“ah, bons tempos aqueles...”). Parece, porém, que vivemos num tempo árido, onde nos acostumamos com uma pastoral de manutenção e com a vivência de uma religiosidade totalmente descomprometida e sem sal. Deixamos de viver um cristianismo que possa fazer a diferença numa sociedade paganizada, sendo sal da terra e luz do mundo. Está certa a frase de João Batista Scalabrini (“O mundo anda depressa e nós não podemos parar”...), mas a rapidez com que nossas opções pastorais vêm e vão não permite nem que consigamos iniciar e concluir qualquer projeto eclesial. Aquilo que hoje é assunto na Igreja tende amanhã a desaparecer, sem deixar rastro, sendo substituído por outro que depois de amanhã também vai cair na vala comum do esquecimento. E nessa loucura de passar por temas que vêm e vão, vamos deixando brechas escancaradas de necessidades de nosso povo que existem, continuam a existir e não conseguem ser atendidas. Olhamos para todos os lados, vemos gente sofredora, vemos situações terríveis, “cansadas e oprimidas como ovelhas sem pastor” e cruzamos os braços, nos omitindo de um modo cruel e não-cristão.
Está faltando em nossa Igreja hoje o espírito da profecia. Ao melhor estilo dos profetas do Antigo Testamento (sem, porém, precisar utilizar as longas barbas brancas...), torna-se necessário denunciar a mentalidade presente em nossa sociedade e que está contaminando nossa Igreja até os seus fundamentos: uma mentalidade totalmente superficial, individualista, hedonista e outros “istas”, que desfiguram o rosto de Cristo que devemos ser. É profético insistir naquilo que descobrimos como prioridade pastoral e que jamais deve ser esquecido em nossas reuniões e em nossa oração pessoal. Torna-se necessário a contemplação dos mais prementes desafios que nos são lançados, para que possamos oferecer respostas às questões que nos são formuladas. Para cada desafio, para cada pergunta, a Igreja deve oferecer pistas de reflexão e de ação, de forma concatenada e orgânica. O caminho precisa ser re-feito, para que possamos descobrir onde estamos e para onde precisamos ir. Nossas opções fundamentais necessitam ser retomadas, a fim de que haja de novo o re-encantar-se pelo Reino. Somos mais do que simples “fazedores de coisas”; somos artífices da ação evangelizadora da Igreja, em pleno século XXI, construtores da história nesse novo milênio. É Deus quem nos chama e, por seu Espírito, nos envia em missão. Responder a esse chamado é vocação nossa!

Os que nos foram roubados



O Senhor confia a nós, sua Igreja e seus pastores, o seu rebanho formado por homens e mulheres de todas as idades e condições sociais e culturais. Cabe a nós o zelo por esse rebanho, sabendo que depende muito de nós a sua relação com Deus e com aquilo que pode ser decisivo para a sua felicidade aqui e agora e depois definitivamente.
Ao contemplar todas as pessoas que, durante esses anos todos passaram pela minha vida e foram atingidas pelo meu ministério presbiteral, percebi o imenso número de ovelhas desse rebanho que, após uma bonita e até mesmo longa jornada entre nós, muitas vezes do nada, abandonam o Caminho e são jogadas nas garras dos mais vorazes lobos, que roubam a sua paz e felicidade verdadeira. Isto tornou-se, para mim, causa de tristeza e preocupação. Não tenho o direito de descansar, enquanto o rebanho do Senhor é trucidado.
A grande pergunta que me faço é exatamente esta: “O que nós, como Igreja, fizemos ou deixamos de fazer, por estes filhos e filhas que se afastaram do nosso rebanho?” A resposta para esta pergunta deve nos conduzir a um verdadeiro exame de consciência sobre o modo como temos apresentado a proposta de Jesus e também sobre a maneira como temos vivido esta proposta.
Em primeiro lugar, é fundamental deixar claro que não somos apresentadores de um conjunto de dogmas e de regras sobre o que se deve fazer e o que não se pode fazer. Cairíamos num farisaísmo vazio de sentido, tornando, assim, a mensagem do Evangelho algo opaco, sem brilho, sem entusiasmo, sem vida. Nós, Igreja e pastores, somos chamados a apresentar uma PESSOA – Jesus, e proporcionar às pessoas a nós confiadas, um ENCONTRO, encontro este que seja profundamente vivencial e transformador, um encontro com aquele que é a luz do mundo, o Iluminador, e que, no amor, iluminará a vida daqueles que com Ele se encontram. A vivência da proposta de Jesus é consequência de um encantamento com Ele.
Em segundo lugar, somente encanta quem é encantado. O Evangelizador deve ser, antes de tudo, uma pessoa que se encantou com Jesus e com o seu Reino, alguém apaixonado, pois faz a cada dia um Encontro novo com o Senhor e se deixa contagiar pela alegria do Reino, contagiando a todos ao seu redor, com essa alegria. Precisamos mostrar ao mundo, especialmente aos que nos foram confiados, como é bom, como é maravilhoso estar no Caminho. A alegria de ser amigo de Jesus é infinitamente maior do que todas as alegrias que possamos encontrar no pecado, pois quem permanece longe do Senhor jamais vai ser feliz, porque, qual uma maldição sobre sua cabeça, o pecado tira da pessoa toda a sua energia vital e toda a sua capacidade de ser verdadeiramente feliz.
Por isso, cabe a nós, Igreja, a missão de ir em busca dos cordeiros e ovelhas espalhados mundo afora, proclamando a Misericórida de Deus e o amor que temos por eles. É claro que sempre depende da decisão livre e soberana de cada pessoa, mas, quem em sã consciência, diante da certeza de saber-se amado pelo Senhor, ainda assim gostaria de ficar longe dele? Cabe a nós, também, mais do que nunca, rezar, interceder, clamar aos céus pelos afastados. É uma verdadeira batalha espiritual, que não deve cessar jamais.

Acima de tudo, o Senhor nos pede fidelidade à sua Aliança. A nossa fidelidade à Aliança do nosso Batismo deve ser livre, alegre e generosa.  Nada deve nos afastar do Caminho; pelo contrário, mais do que nunca o testemunho dos cristãos fiéis e dos pastores do povo de Deus é essencial para que o mundo creia e retorne ao rebanho, de onde nunca deveria ter saído.

Meditação 8

MEDITAÇÃO 8
Um decálogo para a nossa vida

1.      Quando cheguei em Mostardas, no ano de 2014, conheci um movimento de casais que, na nossa Diocese, só existe lá: as Equipes de Nossa Senhora. O que mais me chamou a atenção naquele movimento sãos os assim chamados PCEs (pontos concretos de esforço), ou seja, alguns propósitos que cada casal deve procurar cultivar. Um, de modo especial, me chamou a atenção: cada membro deve, individualmente, ter uma “regra de vida”, que deve ser assumida e constantemente avaliada e aprofundada.
2.      Com eles eu percebi o quanto nós, presbíteros, somos indisciplinados e desorganizados na nossa vida pessoal, de tal modo que, muitas vezes ficamos como o cachorro que corre atrás do próprio rabo, sem sair do lugar.
3.      No ano de 2002, em Viena, elaborei o que eu defini como o meu “Decálogo de Vida”, ou seja, os dez mandamentos para a minha vida e ministério. Sentia que aquele momento era decisivo para a minha vida, uma vez que estava quase terminando o Mestrado e estava por voltar para o Brasil. Que tipo de padre Deus queria que eu fosse? Que tipo de padre eu queria ser, de forma que pudesse me realizar pessoalmente e ao mesmo tempo, pudesse atender ao que Deus queria e ao que a Igreja necessitava? Um dia, eu resolvi fazer uma espécie de “Deserto”. Dali surgiu o meu Decálogo, que, desde então, tem orientado a minha vida, guiado as minhas escolhas, fundamentado as minhas opções. No tempo de grande aridez, vivido em 2014, esse Decálogo serviu para dar um norte na minha vida, no meio da escuridão que eu me encontrava. É claro que não consigo viver boa parte dele (talvez nunca consiga...), mas ao menos me orienta quando eu não sei que direção tomar.
4.      Pela minha experiência e pela experiência dos casais equipistas de Mostardas, recomendo que cada um de nós escolha a sua regra de vida e tente orientar a sua existência e ministério a partir dessas opções feitas.

O que quero? Meu Decálogo de vida

1.      Quero viver na simplicidade, de coração e de valores, sendo simples como as pombas, porém astuto como as serpentes, sabendo que o que faço, faço pelo Reino, vivendo na pobreza, com total desapego das coisas, tendo-as como instrumentos para o meu trabalho pastoral a serviço do Reino e das comunidades a mim confiadas;
2.      Quero viver no despojamento de roupas, de bens, de dinheiro... Tudo aquilo que causa preocupação e torna-se sonho ofusca a visão: o brilho do ouro pode acabar tirando a minha atenção do verdadeiro brilho do Reino;
3.      Quero viver na obscuridade, longe dos holofotes, sabendo-me servo do Senhor e das pessoas e sabendo que, quando me deixo envaidecer, acabo tomando o lugar que só a Deus pertence e posso tornar-me como Herodes, que morreu corroído por vermes, por não haver dado glória a Deus;
4.      Quero viver na alegria, alegria sincera, profunda e fraterna. Quero alegrar-me com as conquistas dos meus irmãos e irmãs. Quero alegrar-me com sua existência e estar feliz em sua presença pois eles são sinais de Deus a marcar a estrada da minha vida;
5.      Quero viver em comunhão, não apenas com os que moram comigo,mas com toda a humanidade. Estar em comunhão consiste em sorrir com quem está feliz e chorar com os que choram. Quero estar em comunhão, especialmente com os sofredores, com os pobres, com os enfermos, sabendo que servindo a eles estarei servindo ao próprio Jesus-Servo-Sofredor;
6.      Quero viver Igreja, como cristão fiel batizado, como consagrado ao serviço de Deus e ao seu testemunho. Isto significa dedicar-me a conhecer melhor a Igreja, estudar com afinco sua doutrina, estar em unidade com o Papa, com o meu bispo e presbitério, com o povo de Deus. Quero, na simplicidade, fazer tudo isto por simples e perfeito amor;
7.      Quero viver a gratuidade da doação de vida, dando-me completamente ao serviço do Reino, sem cobranças monetárias ou afetivas. Quero ser como vela, que se deixa queimar para ser luz;
8.      Quero viver na castidade de um coração sem divisão, procurando ver nas pessoas o reflexo de Deus e em seus corpos o Templo do Espírito Santo. Quero tratar a todos afetuosamente, com a ternura de Cristo, evitando atitudes que criem confusão interior e ao mesmo tempo evitando ter a frieza de uma pedra de gelo;
9.      Quero viver na disciplina, dando tempo para cada coisa, sem esquecer de nada: tempo para o estudo, para a oração, para a convivência fraterna, para a pastoral, para o lazer e para o descanso;

10.  Quero viver na intimidade com Deus, dando um tempo não curto à vida espiritual cotidiana: Liturgia das Horas, Santa Missa, estudo da Palavra de Deus, meditação... Como presbítero, desejo ser verdadeiramente um mestre de vida espiritual, ensinando, pelo testemunho de uma vida de intimidade com o Senhor, os caminhos da santidade.

Meditação 7

MEDITAÇÃO 7
“Eles já não têm vinho... Fazei o que Ele vos disser.” (Jo 2, 3.5)

1.      Não poderíamos concluir este nosso Retiro sem uma meditação sobre o papel de Maria na História da Salvação e na nossa própria história pessoal. É impossível falar de sacerdócio sem a Mãe dos Sacerdotes. Desde a minha Ordenação Presbiteral, em 1991, tenho rezado uma pequena e simples jaculatória, que repito após cada mistério do terço: “Nossa Senhora, Mãe dos Sacerdotes, fazei de mim um santo sacerdote!” Esta pequena jaculatória expressa, de um modo quase infantil, um bonito e singelo amor para com a Mãe de Deus, que foi sendo cultivado desde a minha infância. Se nós somos aquilo que comemos e, pela Eucaristia, somos transformados em “outros Cristos”, pelo cultivo de uma espiritualidade mariana vamos sendo por ela moldados em discípulos missionários do seu Filho.
2.      Gostaria de convidar para esta nossa Meditação uma figura que sempre foi importante na minha história: o Pe. José Kentenich. Não pretendo aqui fazer uma “apologia” à espiritualidade de Schoenstatt, mas alguns de seus elementos são muito interessantes para a nossa vida e ministério presbiteral. O primeiro elemento é a dimensão da Aliança. A aliança, feita pelo Pe. Kentenich e seus seminaristas, no distante 18 de outubro de 1914, está ligada à Aliança de Deus com a humanidade, inicialmente feita entre Javé e Abraão e depois reafirmada por meio de Moisés com todo o povo de Israel. Esta Aliança é de mútuo amor e fidelidade. Javé sempre foi fiel; já Israel... Em Jesus, esta Aliança é retomada de forma definitiva. Pelo Batismo, esta Aliança eterna e nova chega até nós. A Aliança de Amor feita com a Mãe de Deus está a serviço da aliança batismal e nos ajuda a viver bem como filhos de Deus. Para o Pe. Kentenich, Maria é a grande Pedagoga, que nos ensina o caminho da fidelidade a seu Filho, Jesus. No quadro da Mãe Rainha, ela aparece com o Menino Jesus nos braços, como que nos apresentando aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida[1]. Também, ali, ela nos mostra qual é o nosso lugar, como filhos seus: juntamente com Jesus, o nosso lugar é nos braços da Mãe.
3.      O segundo elemento de Schoenstatt a destacar é a ideia do Santuário. Para entendermos a espiritualidade de Schoenstatt nesse quesito, é bom lembrar que ali não aconteceu nenhuma revelação particular, seja alguma aparição ou o encontro miraculoso da imagem. Simplesmente, no dia 18 de outubro de 1914, o Pe. Kentenich e seus seminaristas convidaram Maria para que “habitasse” espiritualmente aquela pequena capelinha e fizesse ali um lugar de graças e bênçãos. E Maria aceitou o convite! Existe um pequeno livro do Pe. Kentenich, que possui como título: “Meu coração – teu santuário”. Aqui, de novo, é bom lembrar que o nosso coração sacerdotal deve ser um santuário, onde Maria pode, com o seu Filho, habitar. E, quando o nosso coração torna-se este santuário, nós passamos a aprender, com Maria, a fazer em tudo a vontade de Deus. E como é importante e fundamental o cultivo dessa presença feminina na nossa vida, pois vai provocar em nós o surgimento de uma sensibilidade e acolhida afetuosa, que só as mulheres podem ter. Quando cultivada essa presença de Maria, nós deixamos de ser solteirões com atitudes neuróticas e quase que totalmente incapacitados para amar e acolher os outros.
4.      O ser santuário de Deus consiste nesta abertura nossa ao Espírito Santo, que vai nos conduzindo a uma sempre maior semelhança com Jesus, de tal modo que toda a nossa vida fique marcada por isso. Assim escreve o Pe. Kentenich: “A vida no Santuário do meu coração deveria ser uma vida de permanente Ofertório, Consagração e Comunhão. Esta é a vida de uma pessoa que realmente vive em seu Santuário.” É preciso ter sempre presente que a vida e o ministério do presbítero deve ser totalmente consagrado a Deus, por meio de Maria, que vai conduzindo os seus filhos no Caminho do seu Filho. Como nas Bodas de Caná, ela é intercessora. Assim nos ensina o Concílio Vaticano II: “(Maria)Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada”.
5.      A devoção mariana é, também, um poderoso antídoto contra uma mentalidade “adulta”, muitas vezes presente na nossa vida e ministério. Esta mentalidade adulta tira de nós toda uma postura quase que infantil, que ajuda a preservar a simplicidade própria das crianças, assim como a confiança filial.  Não significa imaturidade afetiva ou espiritual; pelo contrário, a imaturidade consiste em sermos tão autônomos diante de Deus, que queremos nos colocar no seu lugar, achando que nos bastamos a nós mesmos. Quanto mais autônomo o ser humano se acha diante de Deus, mais trágicas são as consequências dessa pretensa autonomia.
6.      É preciso aprendermos a “arte” da infância espiritual, que a presença materna de Maria provoca em nós. Essa graça eu peço cada vez que vejo a alegria de nosso povo nos Santuários e procissões marianas mundo afora. Quando vejo as nossas velhinhas rezando piedosamente o seu terço ou pagando suas promessas, percebo quão grande estrago essa mentalidade “adulta” fez e faz na minha vida, nas nossas vidas de presbíteros, que deveriam se emocionar ao cantar “Mãezinha do céu” ou ao desfiar as contas do Rosário.
7.       Essa postura da simplicidade filial abre-nos às três graças do Santuário, que considero fundamentais à nossa vida cristã e presbiteral: a graça do acolhimento espiritual, ou seja, de sentirmos que somos acolhidos e amados por Deus; a graça da transformação interior, ou seja, de deixarmos que Maria seja a nossa Mãe e Educadora na fé; a graça da fecundidade apostólica, a de sermos instrumentos nas mãos de Deus, para que o mundo seja evangelizado.
8.      Por isso, vamos retornar às fontes de nossa vida cristã e às expressões religiosas marianas que aprendemos ainda na nossa infância e que nos animaram na nossa caminhada de fé e de vocação. Vamos reaprender a rezar o terço com a mesma confiança filial de antigamente e redescobrir a devoção à Nossa Senhora que mais fala ao nosso coração. Isso vai fazer de nós presbíteros mais amáveis, mais profundos, mais acolhedores.

Meditação 6

MEDITAÇÃO 6
“Isto é o meu corpo... este é o cálice do meu sangue...”    (Cf. 1Cor 11,23-26)

EUCARISTIA
CARIDADE – DAR A VIDA
Dar:
            o seu corpo                                                                                                   pela sua fé
            o seu espírito                                                                                                pela sua doutrina
            os seus bens                                                                                                  pelas suas orações
            o seu tempo                                                                                                  pelas suas palavras
            a sua saúde                                                                                                   pelos seus poderes
            a sua vida                                                                                                     pelos seus exemplos

O PADRE É UM HOMEM TRITURADO?
CONSUMIDO?
É PRECISO SER BOM PÃO!

1.      “Quando o padre Chevrier fala da Eucaristia, ele quer mostrar nela a consumação do amor perfeito: o mais alto grau de santidade. Jesus disse: ‘Sejam perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeito’ (Mt 5,48). Comentando, o padre Chevrier nos lembra que ‘devemos nos amar uns aos outros como Jesus nos tem amado’. E Jesus nos amou até dar a sua vida por nós e até se fazer nosso alimento na Eucaristia: ‘tomai e comei, isto é o meu corpo’ assim, somos chamados a amar até dar as nossas vidas”.[1]
2.      A Eucaristia é a fonte e o centro de toda a vida cristã[2]. Nela encontramos a força e a Graça da presença de Cristo, que nos cura, como remédio e nos fortalece, como alimento. Nós somos aquilo que comemos. Qualquer alimento, na medida em que é comido, torna-se absorvido pelo nosso organismo e os seus nutrientes são levados pela corrente sanguínea a todos os nossos órgãos. Da mesma forma, a Eucaristia, quando “comungada”, percorre todo o nosso ser e nos “alimenta” do grande “Nutriente”, que é o próprio Cristo. Por isso, ser cristão significa ser um “outro Cristo”, alimentado que é pelo seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.
3.      O nosso sacerdócio está intimamente ligado à Eucaristia. Ordenados, somos enviados a celebrar a Eucaristia, não como um ato puramente exterior, uma atividade burocrática, mas tendo plena consciência de que devemos adequar a nossa vida ao Senhor: “Recebe a oferenda do povo santo para a apresentares a Deus. Toma consciência do que irás fazer; imita o que irás realizar, e conforma a tua vida com o mistério da cruz do Senhor”[3]. Assim como o pão e o vinho, na Missa, são “eucaristicizados”, o presbítero, também, deve sê-lo, na conformação da sua vida ao Senhor.
4.      Durante estes dias, nós acompanhamos o Senhor na sua pobreza e simplicidade no Presépio e em Nazaré; acompanhamos, no Calvário, a sua morte e abandono e sua proximidade aos que sofrem morte e abandono. Agora, na Eucaristia, acompanhamos o ponto máximo da kenosis de Jesus, Deus, que se faz homem, tornando-se o último, o escravo, o crucificado, até o ponto de se deixar ser alimento, para o bem daqueles a quem ama e salva. Pequeno pão partido, trigo triturado, uva pisada, praticamente um nada, por amor. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos amigos”[4]. Por isso, a vida do presbítero precisa ser uma vida eucarística, em todos os sentidos. Uma vida fundamentada no “alicerce” da Eucaristia, seja através da Missa bem preparada, bem celebrada, seja através de uma espiritualidade construída aos pés do Sacrário. É desta forma que agiremos “in persona Christi”, não apenas como ministros da Eucaristia que somos pela Ordenação, mas também tornando a nossa vida um ato contínuo de amor e de entrega a Deus e ao povo que nos é confiado. Assim nos ensina o Papa Francisco: Como é doce permanecer diante dum crucifixo ou de joelhos diante do Santíssimo Sacramento, e fazê-lo simplesmente para estar à frente dos seus olhos! Como nos faz bem deixar que Ele volte a tocar a nossa vida e nos envie para comunicar a sua vida nova!”[5]
5.      Da Eucaristia para a missão: a missão do discípulo missionário – que todo presbítero deve ser –  consiste em dar a sua vida pelo Reino. Este “dar a vida” não deve ser apenas algo retórico, mas fundamentalmente concreto. A cada dia nós nos deparamos com as mais diversas situações na vida de nossas paróquias, comunidades ou serviços pastorais. Situações que exigem de nós disponibilidade, atenção e, às vezes, grande esforço físico e mental. Já dizia um antigo professor de Teologia Pastoral que, nos nossos tempos, a grande ascese pedida aos presbíteros e agentes de pastoral não vai ser mais a dos joelhos doídos de tanta oração, mas  sim a dos traseiros e costas doloridos de tantas horas sentados em reuniões e assembleias. Dar a vida muitas vezes significa esse cansaço do necessário planejamento pastoral e organização eclesial. Essa dimensão espiritual do trabalho pastoral é que vai ser o diferencial na nossa vida, superando a atitude de meros burocratas eclesiais e funcionários do sagrado.
6.      O “dar a vida”, como consequência da Eucaristia que celebramos e adoramos, não necessariamente vai exigir de nós o verdadeiro martírio de sangue, como o que está sendo pedido a tantos cristãos no Oriente, mas se manifestará no cotidiano de uma vida entregue a Deus e ao próximo, através de pequenos martírios que nos são pedidos. “Penso que dar a vida não é apenas morrer mártir, mas é viver para os outros, para a sua salvação, e esta atitude pode ser cotidianamente heroica”[6]. Gosto muito do Tempo Comum, no Ano Litúrgico. A sua beleza consiste no fato de não celebrarmos nenhum momento especial da História da nossa Salvação, como no Ciclo do Natal ou no da Páscoa. Simplesmente, com o coração de discípulo missionário, nós, como Igreja, acompanhamos Jesus no cotidiano de sua Vida Pública, os seus ensinamentos, os seus gestos e sinais do Reino, os seus encontros com as pessoas e o seu cansaço. Tudo isso diz respeito ao “tempo comum” de nossa vida ministerial, uma vida celebrada, vivida, doada, quase que na “clandestinidade” e no escondimento. Isto é viver eucaristicamente, é tornar-se como o pão partido que, consagrado, é o Corpo doado do Senhor.
7.      Aqui é importante contemplar a vida de tantos presbíteros que, de modo escondido, entregam suas vidas até o fim de suas forças para fazer Jesus ser conhecido e amado. São padres (somos assim?) que não têm nenhuma fama e que nunca serão celebridades. São padres pobres, despojados, que entregam a sua vida, sua juventude e energias, muitas vezes sem reconhecimento algum, e que, após serem triturados e consumidos, saem de cena, com a consciência de que fizeram tudo o que tinha que ser feito e o fizeram por ser sua obrigação.
8.      Agora vamos ao encontro de Jesus na Eucaristia. Ele que, em cada Missa, deixa ser tocado, triturado, consumido por nós. Que esta Adoração que vamos fazer, nos ajude a crescer no amor à Eucaristia, para sermos também nós “eucaristicizados”, transformados n’Aquele que celebramos e recebemos. Que o nosso ministério seja eucarístico e a nossa vida seja entregue e consumida.




[1] Guerre, R. A ESPIRITUALIDADE DO SACERDOTE DIOCESANO, pág. 74
[2] Cf. LG 11
[3] Rito de Ordenação Presbiteral
[4] Jo 15,13
[5] Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 264
[6] Nicolas, M.J., SER PADRE, DOM E MINISTÉRIO, Paulinas, 1989, pág. 163

A SANTIDADE ESCONDIDA

  Hoje a Igreja celebrou o glorioso São Pio de Pietrelcina, o mais famoso santo do século XX, marcado com os estigmas da Paixão do Senhor e ...