Hoje tivemos o Retiro Paroquial da Paróquia São José Operário. Foi uma imensa alegria poder pregar esse Retiro, reencontrando tanta gente querida, que fez parte da minha vida durante seis anos e meio. Aqui partilho a primeira Meditação deste Retiro.
O Amor de Deus e a Deus
1.
Somos amados por Deus. Esta é uma certeza
que nos vem da fé e da própria Revelação de Deus. Amados por Deus, fomos desde
toda a eternidade conhecidos e escolhidos por Ele para sermos seus filhos e
filhas. São João nos diz, na sua primeira carta: “Vede que grande presente de
amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus. E nós o somos” (1Jo 3,1)!
Esta certeza do Amor que Deus tem por nós nos dá uma alegria indescritível e
tira de nós toda e qualquer possibilidade de frustração. Quem sabe ser amado
por Deus não tem somente a certeza do céu, mas traz o céu dentro de si. Como
diria Chiara Lubich, “sua vida é antecipação do Paraíso”.
2.
A filiação traz consigo direitos e deveres.
Direitos: um filho ou filha tem o direito de ser cuidado desde a sua gestação
por seus pais. Desde que nasce, tem o direito à vida, à alimentação, à saúde,
educação, lazer, etc... O filho ou filha se torna herdeiro dos bens dos pais.
Herda desde o DNA a até mesmo os bens que os pais possuem. Com relação à nossa
filiação divina, acontece a mesma coisa: somos filhos e filhas, temos o DNA de
Deus, somos semelhantes a Ele e seus herdeiros de todas as coisas que Ele
possui, isto é, tudo.
3.
Mas, igualmente, a filiação traz deveres e
obrigações. Como filhos e filhas, carregamos ao longo de nossas vidas o dever
de respeitar, ouvir e obedecer ao nosso Pai-Deus. Isto significa que nossa
relação com Ele deve ser a de obediente escuta da sua Palavra e fiel
observância do que Ele nos pede. A atitude orante e adorante deve fazer parte
do nosso cotidiano, para que a nossa relação com Deus se torne algo familiar e
nos traga paz. Deus não precisa da nossa oração ou adoração: nós é que precisamos
dela. A fonte de todos os problemas da humanidade está na ausência do cultivo
de uma relação orante e adorante com Deus. Se eu não cultivo a minha filiação
divina, então sou o mais infeliz dos homens, porque sou órfão. Isto cria em mim
um vazio interior que jamais vai ser preenchido. E as tentativas de preencher
esse vazio interior geralmente são frustradas, causando a mais terrível das
“pobrezas”: sem um Pai-Deus, não me sinto herdeiro de nada e nem sou irmão de
ninguém.
4.
Deus
jamais deixa de nos amar. Seu Amor por nós é incondicional. O impedimento de
esse Amor chegar até nós não é colocado por Ele, mas por nós. Uma das mais
belas características do Amor de Deus consiste no respeito que tem por seus
filhos e filhas e pela liberdade que dispomos. Afinal, a liberdade é uma
característica divina que herdamos dele: somos livres para fazer escolhas,
optando, inclusive, por não amar a Deus. O mau uso desta liberdade traz
consequências funestas para a vida humana.
5.
“Ausência do cultivo de uma relação orante e
adorante com Deus”... Esta ausência de relação com Deus não se dá porque nós
sejamos ateus ou porque nós o rejeitamos em nossa vida. Simplesmente não
acontece por causa de nossa mais absurda indiferença. Se Deus existe ou não
tanto faz. Aliás, é mais terrível uma atitude indiferente do que adversária.
“Conheço a tua conduta. Não és frio, nem quente. Oxalá fosses frio ou quente.
Mas, porque és morno, nem frio ou quente, estou para vomitar-te da minha boca”
(Ap 3,16).
6.
Portanto, escolher a Deus é fazer uma escolha
vital. Da mesma forma que não podemos escolher se vamos respirar ou não, se o
nosso coração vai pulsar ou não, a escolha por Deus é essencial para a nossa
vida e felicidade. Por que buscamos ter uma vida espiritual? Por que saímos de
nossas casas a cada sábado ou domingo, para participarmos de nossas celebrações
dominicais? Simplesmente porque descobrimos que a relação com o nosso Pai-Deus
é como o ar que respiramos, percebendo que a nossa felicidade e realização de
nossa vida está em dar esse espaço para Ele.
7.
O primeiro passo que somos chamados a dar
neste dia de Retiro consiste em olhar para a nossa história de Amor com Deus:
como começou, quem O apresentou a nós, de que forma fomos aprendendo a dar esse
espaço a Ele em nosso tempo... Vamos parar um
tempinho para recordar e para dizer a Deus o quanto nós O amamos e o
quanto Ele é importante para a nossa vida.

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