Casório

Casório

domingo, 11 de junho de 2017

O Amor de Deus e a Deus

Hoje tivemos o Retiro Paroquial da Paróquia São José Operário. Foi uma imensa alegria poder pregar esse Retiro, reencontrando tanta gente querida, que fez parte da minha vida durante seis anos e meio. Aqui partilho a primeira Meditação deste Retiro.


O Amor de Deus e a Deus

1.      Somos amados por Deus. Esta é uma certeza que nos vem da fé e da própria Revelação de Deus. Amados por Deus, fomos desde toda a eternidade conhecidos e escolhidos por Ele para sermos seus filhos e filhas. São João nos diz, na sua primeira carta: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus. E nós o somos” (1Jo 3,1)! Esta certeza do Amor que Deus tem por nós nos dá uma alegria indescritível e tira de nós toda e qualquer possibilidade de frustração. Quem sabe ser amado por Deus não tem somente a certeza do céu, mas traz o céu dentro de si. Como diria Chiara Lubich, “sua vida é antecipação do Paraíso”.

2.      A filiação traz consigo direitos e deveres. Direitos: um filho ou filha tem o direito de ser cuidado desde a sua gestação por seus pais. Desde que nasce, tem o direito à vida, à alimentação, à saúde, educação, lazer, etc... O filho ou filha se torna herdeiro dos bens dos pais. Herda desde o DNA a até mesmo os bens que os pais possuem. Com relação à nossa filiação divina, acontece a mesma coisa: somos filhos e filhas, temos o DNA de Deus, somos semelhantes a Ele e seus herdeiros de todas as coisas que Ele possui, isto é, tudo.

3.      Mas, igualmente, a filiação traz deveres e obrigações. Como filhos e filhas, carregamos ao longo de nossas vidas o dever de respeitar, ouvir e obedecer ao nosso Pai-Deus. Isto significa que nossa relação com Ele deve ser a de obediente escuta da sua Palavra e fiel observância do que Ele nos pede. A atitude orante e adorante deve fazer parte do nosso cotidiano, para que a nossa relação com Deus se torne algo familiar e nos traga paz. Deus não precisa da nossa oração ou adoração: nós é que precisamos dela. A fonte de todos os problemas da humanidade está na ausência do cultivo de uma relação orante e adorante com Deus. Se eu não cultivo a minha filiação divina, então sou o mais infeliz dos homens, porque sou órfão. Isto cria em mim um vazio interior que jamais vai ser preenchido. E as tentativas de preencher esse vazio interior geralmente são frustradas, causando a mais terrível das “pobrezas”: sem um Pai-Deus, não me sinto herdeiro de nada e nem sou irmão de ninguém.

4.       Deus jamais deixa de nos amar. Seu Amor por nós é incondicional. O impedimento de esse Amor chegar até nós não é colocado por Ele, mas por nós. Uma das mais belas características do Amor de Deus consiste no respeito que tem por seus filhos e filhas e pela liberdade que dispomos. Afinal, a liberdade é uma característica divina que herdamos dele: somos livres para fazer escolhas, optando, inclusive, por não amar a Deus. O mau uso desta liberdade traz consequências funestas para a vida humana.

5.      “Ausência do cultivo de uma relação orante e adorante com Deus”... Esta ausência de relação com Deus não se dá porque nós sejamos ateus ou porque nós o rejeitamos em nossa vida. Simplesmente não acontece por causa de nossa mais absurda indiferença. Se Deus existe ou não tanto faz. Aliás, é mais terrível uma atitude indiferente do que adversária. “Conheço a tua conduta. Não és frio, nem quente. Oxalá fosses frio ou quente. Mas, porque és morno, nem frio ou quente, estou para vomitar-te da minha boca” (Ap 3,16).

6.      Portanto, escolher a Deus é fazer uma escolha vital. Da mesma forma que não podemos escolher se vamos respirar ou não, se o nosso coração vai pulsar ou não, a escolha por Deus é essencial para a nossa vida e felicidade. Por que buscamos ter uma vida espiritual? Por que saímos de nossas casas a cada sábado ou domingo, para participarmos de nossas celebrações dominicais? Simplesmente porque descobrimos que a relação com o nosso Pai-Deus é como o ar que respiramos, percebendo que a nossa felicidade e realização de nossa vida está em dar esse espaço para Ele.

7.      O primeiro passo que somos chamados a dar neste dia de Retiro consiste em olhar para a nossa história de Amor com Deus: como começou, quem O apresentou a nós, de que forma fomos aprendendo a dar esse espaço a Ele em nosso tempo... Vamos parar um  tempinho para recordar e para dizer a Deus o quanto nós O amamos e o quanto Ele é importante para a nossa vida. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A SANTIDADE ESCONDIDA

  Hoje a Igreja celebrou o glorioso São Pio de Pietrelcina, o mais famoso santo do século XX, marcado com os estigmas da Paixão do Senhor e ...