“Isto é o meu corpo... este é o cálice do meu sangue...” (Cf. 1Cor 11,23-26)
EUCARISTIA
CARIDADE – DAR A VIDA
Dar:
o seu corpo pela
sua fé
o
seu espírito pela
sua doutrina
os
seus bens pelas
suas orações
o
seu tempo pelas
suas palavras
a
sua saúde pelos
seus poderes
a
sua vida pelos
seus exemplos
O PADRE É UM HOMEM TRITURADO?
CONSUMIDO?
É PRECISO SER BOM PÃO!
1.
“Quando o padre Chevrier
fala da Eucaristia, ele quer mostrar nela a consumação do amor perfeito: o mais
alto grau de santidade. Jesus disse: ‘Sejam perfeitos como o vosso Pai Celeste
é perfeito’ (Mt 5,48). Comentando, o padre Chevrier nos lembra que ‘devemos nos
amar uns aos outros como Jesus nos tem amado’. E Jesus nos amou até dar a sua
vida por nós e até se fazer nosso alimento na Eucaristia: ‘tomai e comei, isto
é o meu corpo’ assim, somos chamados a amar até dar as nossas vidas”.[1]
2.
A Eucaristia é a fonte e o centro de toda a vida cristã[2].
Nela encontramos a força e a Graça da presença de Cristo, que nos cura, como
remédio e nos fortalece, como alimento. Nós somos aquilo que comemos. Qualquer
alimento, na medida em que é comido, torna-se absorvido pelo nosso organismo e
os seus nutrientes são levados pela corrente sanguínea a todos os nossos
órgãos. Da mesma forma, a Eucaristia, quando “comungada”, percorre todo o nosso
ser e nos “alimenta” do grande “Nutriente”, que é o próprio Cristo. Por isso,
ser cristão significa ser um “outro Cristo”, alimentado que é pelo seu Corpo,
Sangue, Alma e Divindade.
3. O nosso sacerdócio está
intimamente ligado à Eucaristia. Ordenados, somos enviados a celebrar a
Eucaristia, não como um ato puramente exterior, uma atividade burocrática, mas
tendo plena consciência de que devemos adequar a nossa vida ao Senhor: “Recebe a
oferenda do povo santo para a apresentares a Deus. Toma consciência do que irás
fazer; imita o que irás realizar, e conforma a tua vida com o mistério da cruz
do Senhor”[3]. Assim como o pão e o vinho, na Missa, são
“eucaristicizados”, o presbítero, também, deve sê-lo, na conformação da sua
vida ao Senhor.
4. Durante estes dias, nós acompanhamos o Senhor na sua
pobreza e simplicidade no Presépio e em Nazaré; acompanhamos, no Calvário, a
sua morte e abandono e sua proximidade aos que sofrem morte e abandono. Agora,
na Eucaristia, acompanhamos o ponto máximo da kenosis de Jesus, Deus, que se faz homem, tornando-se o último, o
escravo, o crucificado, até o ponto de se deixar ser alimento, para o bem
daqueles a quem ama e salva. Pequeno pão partido, trigo triturado, uva pisada,
praticamente um nada, por amor. “Ninguém
tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos amigos”[4]. Por
isso, a vida do presbítero precisa ser uma vida eucarística, em todos os
sentidos. Uma vida fundamentada no “alicerce” da Eucaristia, seja através da
Missa bem preparada, bem celebrada, seja através de uma espiritualidade
construída aos pés do Sacrário. É desta forma que agiremos “in persona
Christi”, não apenas como ministros da Eucaristia que somos pela Ordenação, mas
também tornando a nossa vida um ato contínuo de amor e de entrega a Deus e ao
povo que nos é confiado. Assim nos ensina o Papa Francisco: “Como é doce
permanecer diante dum crucifixo ou de joelhos diante do Santíssimo Sacramento,
e fazê-lo simplesmente para estar à frente dos seus olhos! Como nos faz bem
deixar que Ele volte a tocar a nossa vida e nos envie para comunicar a sua vida
nova!”[5]
5. Da Eucaristia para a
missão: a missão do discípulo missionário – que todo presbítero deve ser – consiste em dar a sua vida pelo Reino. Este
“dar a vida” não deve ser apenas algo retórico, mas fundamentalmente concreto.
A cada dia nós nos deparamos com as mais diversas situações na vida de nossas
paróquias, comunidades ou serviços pastorais. Situações que exigem de nós
disponibilidade, atenção e, às vezes, grande esforço físico e mental. Já dizia
um antigo professor de Teologia Pastoral que, nos nossos tempos, a grande
ascese pedida aos presbíteros e agentes de pastoral não vai ser mais a dos
joelhos doídos de tanta oração, mas sim
a dos traseiros e costas doloridos de tantas horas sentados em reuniões e
assembleias. Dar a vida muitas vezes significa esse cansaço do necessário
planejamento pastoral e organização eclesial. Essa dimensão espiritual do
trabalho pastoral é que vai ser o diferencial na nossa vida, superando a
atitude de meros burocratas eclesiais e funcionários do sagrado.
6. O “dar a vida”, como
consequência da Eucaristia que celebramos e adoramos, não necessariamente vai
exigir de nós o verdadeiro martírio de sangue, como o que está sendo pedido a
tantos cristãos no Oriente, mas se manifestará no cotidiano de uma vida
entregue a Deus e ao próximo, através de pequenos martírios que nos são
pedidos. “Penso que dar a vida não é
apenas morrer mártir, mas é viver para os outros, para a sua salvação, e esta
atitude pode ser cotidianamente heroica”[6].
Gosto muito do Tempo Comum, no Ano Litúrgico. A sua beleza consiste no fato de
não celebrarmos nenhum momento especial da História da nossa Salvação, como no
Ciclo do Natal ou no da Páscoa. Simplesmente, com o coração de discípulo
missionário, nós, como Igreja, acompanhamos Jesus no cotidiano de sua Vida
Pública, os seus ensinamentos, os seus gestos e sinais do Reino, os seus
encontros com as pessoas e o seu cansaço. Tudo isso diz respeito ao “tempo
comum” de nossa vida ministerial, uma vida celebrada, vivida, doada, quase que
na “clandestinidade” e no escondimento. Isto é viver eucaristicamente, é
tornar-se como o pão partido que, consagrado, é o Corpo doado do Senhor.
7. Aqui é importante
contemplar a vida de tantos presbíteros que, de modo escondido, entregam suas
vidas até o fim de suas forças para fazer Jesus ser conhecido e amado. São
padres (somos assim?) que não têm nenhuma fama e que nunca serão celebridades.
São padres pobres, despojados, que entregam a sua vida, sua juventude e energias,
muitas vezes sem reconhecimento algum, e que, após serem triturados e
consumidos, saem de cena, com a consciência de que fizeram tudo o que tinha que
ser feito e o fizeram por ser sua obrigação.
8. Agora vamos ao encontro
de Jesus na Eucaristia. Ele que, em cada Missa, deixa ser tocado, triturado,
consumido por nós. Que esta Adoração que vamos fazer, nos ajude a crescer no
amor à Eucaristia, para sermos também nós “eucaristicizados”, transformados
n’Aquele que celebramos e recebemos. Que o nosso ministério seja eucarístico e
a nossa vida seja entregue e consumida.

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