Casório

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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Meditação 6

MEDITAÇÃO 6
“Isto é o meu corpo... este é o cálice do meu sangue...”    (Cf. 1Cor 11,23-26)

EUCARISTIA
CARIDADE – DAR A VIDA
Dar:
            o seu corpo                                                                                                   pela sua fé
            o seu espírito                                                                                                pela sua doutrina
            os seus bens                                                                                                  pelas suas orações
            o seu tempo                                                                                                  pelas suas palavras
            a sua saúde                                                                                                   pelos seus poderes
            a sua vida                                                                                                     pelos seus exemplos

O PADRE É UM HOMEM TRITURADO?
CONSUMIDO?
É PRECISO SER BOM PÃO!

1.      “Quando o padre Chevrier fala da Eucaristia, ele quer mostrar nela a consumação do amor perfeito: o mais alto grau de santidade. Jesus disse: ‘Sejam perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeito’ (Mt 5,48). Comentando, o padre Chevrier nos lembra que ‘devemos nos amar uns aos outros como Jesus nos tem amado’. E Jesus nos amou até dar a sua vida por nós e até se fazer nosso alimento na Eucaristia: ‘tomai e comei, isto é o meu corpo’ assim, somos chamados a amar até dar as nossas vidas”.[1]
2.      A Eucaristia é a fonte e o centro de toda a vida cristã[2]. Nela encontramos a força e a Graça da presença de Cristo, que nos cura, como remédio e nos fortalece, como alimento. Nós somos aquilo que comemos. Qualquer alimento, na medida em que é comido, torna-se absorvido pelo nosso organismo e os seus nutrientes são levados pela corrente sanguínea a todos os nossos órgãos. Da mesma forma, a Eucaristia, quando “comungada”, percorre todo o nosso ser e nos “alimenta” do grande “Nutriente”, que é o próprio Cristo. Por isso, ser cristão significa ser um “outro Cristo”, alimentado que é pelo seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.
3.      O nosso sacerdócio está intimamente ligado à Eucaristia. Ordenados, somos enviados a celebrar a Eucaristia, não como um ato puramente exterior, uma atividade burocrática, mas tendo plena consciência de que devemos adequar a nossa vida ao Senhor: “Recebe a oferenda do povo santo para a apresentares a Deus. Toma consciência do que irás fazer; imita o que irás realizar, e conforma a tua vida com o mistério da cruz do Senhor”[3]. Assim como o pão e o vinho, na Missa, são “eucaristicizados”, o presbítero, também, deve sê-lo, na conformação da sua vida ao Senhor.
4.      Durante estes dias, nós acompanhamos o Senhor na sua pobreza e simplicidade no Presépio e em Nazaré; acompanhamos, no Calvário, a sua morte e abandono e sua proximidade aos que sofrem morte e abandono. Agora, na Eucaristia, acompanhamos o ponto máximo da kenosis de Jesus, Deus, que se faz homem, tornando-se o último, o escravo, o crucificado, até o ponto de se deixar ser alimento, para o bem daqueles a quem ama e salva. Pequeno pão partido, trigo triturado, uva pisada, praticamente um nada, por amor. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos amigos”[4]. Por isso, a vida do presbítero precisa ser uma vida eucarística, em todos os sentidos. Uma vida fundamentada no “alicerce” da Eucaristia, seja através da Missa bem preparada, bem celebrada, seja através de uma espiritualidade construída aos pés do Sacrário. É desta forma que agiremos “in persona Christi”, não apenas como ministros da Eucaristia que somos pela Ordenação, mas também tornando a nossa vida um ato contínuo de amor e de entrega a Deus e ao povo que nos é confiado. Assim nos ensina o Papa Francisco: Como é doce permanecer diante dum crucifixo ou de joelhos diante do Santíssimo Sacramento, e fazê-lo simplesmente para estar à frente dos seus olhos! Como nos faz bem deixar que Ele volte a tocar a nossa vida e nos envie para comunicar a sua vida nova!”[5]
5.      Da Eucaristia para a missão: a missão do discípulo missionário – que todo presbítero deve ser –  consiste em dar a sua vida pelo Reino. Este “dar a vida” não deve ser apenas algo retórico, mas fundamentalmente concreto. A cada dia nós nos deparamos com as mais diversas situações na vida de nossas paróquias, comunidades ou serviços pastorais. Situações que exigem de nós disponibilidade, atenção e, às vezes, grande esforço físico e mental. Já dizia um antigo professor de Teologia Pastoral que, nos nossos tempos, a grande ascese pedida aos presbíteros e agentes de pastoral não vai ser mais a dos joelhos doídos de tanta oração, mas  sim a dos traseiros e costas doloridos de tantas horas sentados em reuniões e assembleias. Dar a vida muitas vezes significa esse cansaço do necessário planejamento pastoral e organização eclesial. Essa dimensão espiritual do trabalho pastoral é que vai ser o diferencial na nossa vida, superando a atitude de meros burocratas eclesiais e funcionários do sagrado.
6.      O “dar a vida”, como consequência da Eucaristia que celebramos e adoramos, não necessariamente vai exigir de nós o verdadeiro martírio de sangue, como o que está sendo pedido a tantos cristãos no Oriente, mas se manifestará no cotidiano de uma vida entregue a Deus e ao próximo, através de pequenos martírios que nos são pedidos. “Penso que dar a vida não é apenas morrer mártir, mas é viver para os outros, para a sua salvação, e esta atitude pode ser cotidianamente heroica”[6]. Gosto muito do Tempo Comum, no Ano Litúrgico. A sua beleza consiste no fato de não celebrarmos nenhum momento especial da História da nossa Salvação, como no Ciclo do Natal ou no da Páscoa. Simplesmente, com o coração de discípulo missionário, nós, como Igreja, acompanhamos Jesus no cotidiano de sua Vida Pública, os seus ensinamentos, os seus gestos e sinais do Reino, os seus encontros com as pessoas e o seu cansaço. Tudo isso diz respeito ao “tempo comum” de nossa vida ministerial, uma vida celebrada, vivida, doada, quase que na “clandestinidade” e no escondimento. Isto é viver eucaristicamente, é tornar-se como o pão partido que, consagrado, é o Corpo doado do Senhor.
7.      Aqui é importante contemplar a vida de tantos presbíteros que, de modo escondido, entregam suas vidas até o fim de suas forças para fazer Jesus ser conhecido e amado. São padres (somos assim?) que não têm nenhuma fama e que nunca serão celebridades. São padres pobres, despojados, que entregam a sua vida, sua juventude e energias, muitas vezes sem reconhecimento algum, e que, após serem triturados e consumidos, saem de cena, com a consciência de que fizeram tudo o que tinha que ser feito e o fizeram por ser sua obrigação.
8.      Agora vamos ao encontro de Jesus na Eucaristia. Ele que, em cada Missa, deixa ser tocado, triturado, consumido por nós. Que esta Adoração que vamos fazer, nos ajude a crescer no amor à Eucaristia, para sermos também nós “eucaristicizados”, transformados n’Aquele que celebramos e recebemos. Que o nosso ministério seja eucarístico e a nossa vida seja entregue e consumida.




[1] Guerre, R. A ESPIRITUALIDADE DO SACERDOTE DIOCESANO, pág. 74
[2] Cf. LG 11
[3] Rito de Ordenação Presbiteral
[4] Jo 15,13
[5] Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 264
[6] Nicolas, M.J., SER PADRE, DOM E MINISTÉRIO, Paulinas, 1989, pág. 163

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