Acabei de fazer as exéquias do jovem Lucas, estudante do Curso de Engenharia Naval da FURG, natural de São Paulo, que neste final de semana desapareceu, sendo encontrado nas pedras dos molhes da Barra. Foi uma das Exéquias mais difíceis que eu celebrei na minha vida de padre. Celebrar as Exéquias de uma pessoa que morre após uma longa vida ou, ao término de uma enfermidade, reveste-se de sentimentos de gratidão e serenidade. No caso de um jovem, que morre de maneira abrupta, o drama é infinitamente maior.
O desaparecimento deste jovem envolveu toda a nossa cidade. Colegas, amigos, a Universidade, a cidade como um todo, estava envolvida na angústia de seu desaparecimento e na esperança de reencontrá-lo vivo e bem. Todos nós nos tornamos uma extensão da família dele. Poderíamos dizer, como fazem nas redes sociais: #somostodoslucas. Eu não o conhecia, mas, durante todo o final de semana procurava notícias sobre o seu paradeiro e rezava nas Missas por ele.
Não adianta agora procurarmos respostas a respeito do porquê do Lucas ter feito o que fez. A pergunta é outra: Para quê? O que aprendemos com esta dramática história que estamos vivendo? Acredito que a corrente de solidariedade que se estabeleceu nas buscas pelo Lucas não pode ser perdida. Assim como ele, inúmeros meninos e meninas deixam suas cidades e vêm para cá a fim de estudar na FURG, cheios de sonhos, projetos e esperanças. Trazem, porém, um coraçãozinho apertado, com medos, incertezas e uma grande saudade de casa. Nós precisamos acolhê-los, abrir para eles os nossos braços e assim sermos essa extensão das suas famílias. Nossas Universidades, nossas Igrejas, nós, como Rio Grande, precisamos ter a sensibilidade para perceber os sinais de angústia e depressão nos nossos jovens, para ajudá-los e socorrê-los quando necessário.
Por outro lado, é preciso que nossos jovens universitários saibam que não são "super homem" ou "super mulheres" e busquem ajuda em episódios de depressão e dificuldades. Busquem ajuda nos colegas e amigos! Nossas Igrejas sejam este espaço de acolhida, de escuta e de amor. Nossa Universidade oferece instâncias para uma ajuda mais especializada. Não fiquem sozinhos!
Uma morte, como a do Lucas, serve para que estejamos atentos, sensíveis e solidários, para que não se repita com outros jovens. Pedimos a Deus que acolha a sua alma com Misericórdia e o envolva com o seu Amor. Queremos ser solidários com sua mãe e demais familiares. Contem todos com nossa oração e amizade.
