Casório

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domingo, 11 de junho de 2017

O amor ao próximo na Comunidade Eclesial

O amor ao próximo na Comunidade Eclesial


1.      “Homem algum é uma ilha”. Esta frase famosa, do monge Thomas Merton, expressa uma das características fundamentais do ser humano: o fato de sermos seres comunitários. Entre a herança que recebemos do nosso Pai-Deus está esta necessidade de complementação. Somos seres complementares e a nossa realização se dá dentro desta característica tão importante.
2.      Jesus assume toda a realidade humana para redimi-la. Inclusive a realidade da família, da comunidade, do agrupamento. Vive com José e Maria como uma pequena comunidade doméstica. Participa dos atos comunitários da fé judaica, como a participação aos sábados, das atividades da Sinagoga ou até mesmo a ida em Peregrinação ao Templo de Jerusalém. Ao começar a sua vida pública, Jesus forma um pequeno grupo de doze homens, seus discípulos, que deixam tudo para segui-lo. A este grupo somam-se inúmeras pessoas, homens e mulheres, que convivem com Ele e aprendem com seus ensinamentos.
3.      Portanto, a novidade que o Cristianismo aprendeu de seu Mestre consiste no fato de ser uma proposta de religião profundamente comunitária, superando laços de consanguinidade, bem como de pátria ou cultura. Pela primeira vez na história da humanidade, religião não se confunde com laços estranhos à fé. O Cristianismo é uma religião universal, formada por comunidades de pessoas fieis a Jesus Cristo e à sua proposta de vida.
4.      A comunidade dos primeiros discípulos tornou-se a primeira experiência concreta da proposta de vida de Jesus. Ali, ainda nos primeiros dias após Pentecostes já procuravam vivenciar o Evangelho na prática comunitária, dando especial atenção aos mais pobres e necessitados, repartindo entre si os seus bens (cf. At 2,45). Logo surge a instituição dos diáconos, para o serviço às mesas, especialmente dando atenção aos órfãos e viúvas, que eram os mais pobres entre os pobres (cf. At 6,1-6).
5.      O amor praticado entre os primeiros cristãos acontecia ao natural, uma vez que na comunidade todos estavam cheios do Espírito Santo. Aqui encontramos o segredo do sucesso estrondoso da primitiva comunidade eclesial: o Espírito Santo. Se Deus é amor, o cristão e a comunidade cristã, animados pelo Espírito de Deus, terão no seu DNA o amor. A comunidade se torna, então, o local privilegiado de treinamento do Mandamento Novo de Jesus, o “amai-vos como eu vos amei” (Jo 15,12).
6.      “A Igreja-comunidade é ícone da Trindade”. Este foi o tema da minha dissertação de Mestrado. O que significa ser ícone? Na Teologia e espiritualidade do Oriente, o ícone é uma representação de alguém através de uma pintura. É mais do que uma pintura ou imagem religiosa para nós, no Ocidente. Não chega a ser uma presença real, como no caso da Eucaristia, mas é uma certa “forma” de presença espiritual. Inclusive, a elaboração de um ícone requer um caminho espiritual feito pelo autor. Quando afirmamos que a Igreja é ícone da Trindade, estamos dizendo que ela traz em si a característica da Trindade, enquanto Mistério de Comunhão e Amor. Esta característica não provém do esforço humano que fazemos, mas é dom de Deus e ação do Espírito Santo, enquanto Alma da Igreja. Por isso o ser comunidade não é algo apenas “institucional” na vida da Igreja, mas faz parte do seu ser e da sua vocação.
7.      Por isso, naturalmente, em nossas comunidades vivemos o Mandamento Novo do Amor. E, se não estivermos vivenciando isso, então deveríamos fazer um sério exame de consciência para podermos pedir perdão a Deus pelo nosso fechamento à ação da sua Graça e do seu Espírito. Sem o Mandamento do Amor vivenciado, nós nos tornamos uma instituição morta, uma ONG piedosa, um corpo sem alma, um defunto-vivo... Por isso, é fundamental voltarmos ao Cenáculo com Maria, Mãe da Igreja, para pedirmos a Graça de um Novo Pentecostes em nossa Paróquia e comunidades, a fim de que o Mandamento Novo se torne algo que naturalmente vivenciamos, tornando-nos, assim, um modelo de vida para o povo que mora ao nosso redor e que, olhando para nós, possa dizer: “Vede como eles se amam”!

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