Um decálogo para a nossa vida
1.
Quando cheguei em Mostardas, no ano de 2014, conheci um movimento de
casais que, na nossa Diocese, só existe lá: as Equipes de Nossa Senhora. O que
mais me chamou a atenção naquele movimento sãos os assim chamados PCEs (pontos
concretos de esforço), ou seja, alguns propósitos que cada casal deve procurar
cultivar. Um, de modo especial, me chamou a atenção: cada membro deve,
individualmente, ter uma “regra de vida”, que deve ser assumida e
constantemente avaliada e aprofundada.
2.
Com eles eu percebi o quanto nós, presbíteros, somos indisciplinados e
desorganizados na nossa vida pessoal, de tal modo que, muitas vezes ficamos
como o cachorro que corre atrás do próprio rabo, sem sair do lugar.
3.
No ano de 2002, em Viena, elaborei o que eu defini como o meu “Decálogo
de Vida”, ou seja, os dez mandamentos para a minha vida e ministério. Sentia
que aquele momento era decisivo para a minha vida, uma vez que estava quase
terminando o Mestrado e estava por voltar para o Brasil. Que tipo de padre Deus
queria que eu fosse? Que tipo de padre eu queria ser, de forma que pudesse me
realizar pessoalmente e ao mesmo tempo, pudesse atender ao que Deus queria e ao
que a Igreja necessitava? Um dia, eu resolvi fazer uma espécie de “Deserto”.
Dali surgiu o meu Decálogo, que, desde então, tem orientado a minha vida,
guiado as minhas escolhas, fundamentado as minhas opções. No tempo de grande aridez,
vivido em 2014, esse Decálogo serviu para dar um norte na minha vida, no meio
da escuridão que eu me encontrava. É claro que não consigo viver boa parte dele
(talvez nunca consiga...), mas ao menos me orienta quando eu não sei que
direção tomar.
4.
Pela minha experiência e pela experiência dos casais equipistas de
Mostardas, recomendo que cada um de nós escolha a sua regra de vida e tente
orientar a sua existência e ministério a partir dessas opções feitas.
O que quero? Meu Decálogo de vida
1.
Quero viver na simplicidade, de coração e de valores, sendo simples como
as pombas, porém astuto como as serpentes, sabendo que o que faço, faço pelo
Reino, vivendo na pobreza, com total desapego das coisas, tendo-as como
instrumentos para o meu trabalho pastoral a serviço do Reino e das comunidades
a mim confiadas;
2.
Quero viver no despojamento de roupas, de bens, de dinheiro... Tudo
aquilo que causa preocupação e torna-se sonho ofusca a visão: o brilho do ouro
pode acabar tirando a minha atenção do verdadeiro brilho do Reino;
3.
Quero viver na obscuridade, longe dos holofotes, sabendo-me servo do
Senhor e das pessoas e sabendo que, quando me deixo envaidecer, acabo tomando o
lugar que só a Deus pertence e posso tornar-me como Herodes, que morreu
corroído por vermes, por não haver dado glória a Deus;
4.
Quero viver na alegria, alegria sincera, profunda e fraterna. Quero
alegrar-me com as conquistas dos meus irmãos e irmãs. Quero alegrar-me com sua
existência e estar feliz em sua presença pois eles são sinais de Deus a marcar
a estrada da minha vida;
5.
Quero viver em comunhão, não apenas com os que moram comigo,mas com toda
a humanidade. Estar em comunhão consiste em sorrir com quem está feliz e chorar
com os que choram. Quero estar em comunhão, especialmente com os sofredores,
com os pobres, com os enfermos, sabendo que servindo a eles estarei servindo ao
próprio Jesus-Servo-Sofredor;
6.
Quero viver Igreja, como cristão fiel batizado, como consagrado ao
serviço de Deus e ao seu testemunho. Isto significa dedicar-me a conhecer
melhor a Igreja, estudar com afinco sua doutrina, estar em unidade com o Papa,
com o meu bispo e presbitério, com o povo de Deus. Quero, na simplicidade,
fazer tudo isto por simples e perfeito amor;
7.
Quero viver a gratuidade da doação de vida, dando-me completamente ao
serviço do Reino, sem cobranças monetárias ou afetivas. Quero ser como vela,
que se deixa queimar para ser luz;
8.
Quero viver na castidade de um coração sem divisão, procurando ver nas
pessoas o reflexo de Deus e em seus corpos o Templo do Espírito Santo. Quero
tratar a todos afetuosamente, com a ternura de Cristo, evitando atitudes que
criem confusão interior e ao mesmo tempo evitando ter a frieza de uma pedra de
gelo;
9.
Quero viver na disciplina, dando tempo para cada coisa, sem esquecer de
nada: tempo para o estudo, para a oração, para a convivência fraterna, para a
pastoral, para o lazer e para o descanso;
10. Quero viver na intimidade com
Deus, dando um tempo não curto à vida espiritual cotidiana: Liturgia das Horas,
Santa Missa, estudo da Palavra de Deus, meditação... Como presbítero, desejo
ser verdadeiramente um mestre de vida espiritual, ensinando, pelo testemunho de
uma vida de intimidade com o Senhor, os caminhos da santidade.

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