Casório

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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Meditação 8

MEDITAÇÃO 8
Um decálogo para a nossa vida

1.      Quando cheguei em Mostardas, no ano de 2014, conheci um movimento de casais que, na nossa Diocese, só existe lá: as Equipes de Nossa Senhora. O que mais me chamou a atenção naquele movimento sãos os assim chamados PCEs (pontos concretos de esforço), ou seja, alguns propósitos que cada casal deve procurar cultivar. Um, de modo especial, me chamou a atenção: cada membro deve, individualmente, ter uma “regra de vida”, que deve ser assumida e constantemente avaliada e aprofundada.
2.      Com eles eu percebi o quanto nós, presbíteros, somos indisciplinados e desorganizados na nossa vida pessoal, de tal modo que, muitas vezes ficamos como o cachorro que corre atrás do próprio rabo, sem sair do lugar.
3.      No ano de 2002, em Viena, elaborei o que eu defini como o meu “Decálogo de Vida”, ou seja, os dez mandamentos para a minha vida e ministério. Sentia que aquele momento era decisivo para a minha vida, uma vez que estava quase terminando o Mestrado e estava por voltar para o Brasil. Que tipo de padre Deus queria que eu fosse? Que tipo de padre eu queria ser, de forma que pudesse me realizar pessoalmente e ao mesmo tempo, pudesse atender ao que Deus queria e ao que a Igreja necessitava? Um dia, eu resolvi fazer uma espécie de “Deserto”. Dali surgiu o meu Decálogo, que, desde então, tem orientado a minha vida, guiado as minhas escolhas, fundamentado as minhas opções. No tempo de grande aridez, vivido em 2014, esse Decálogo serviu para dar um norte na minha vida, no meio da escuridão que eu me encontrava. É claro que não consigo viver boa parte dele (talvez nunca consiga...), mas ao menos me orienta quando eu não sei que direção tomar.
4.      Pela minha experiência e pela experiência dos casais equipistas de Mostardas, recomendo que cada um de nós escolha a sua regra de vida e tente orientar a sua existência e ministério a partir dessas opções feitas.

O que quero? Meu Decálogo de vida

1.      Quero viver na simplicidade, de coração e de valores, sendo simples como as pombas, porém astuto como as serpentes, sabendo que o que faço, faço pelo Reino, vivendo na pobreza, com total desapego das coisas, tendo-as como instrumentos para o meu trabalho pastoral a serviço do Reino e das comunidades a mim confiadas;
2.      Quero viver no despojamento de roupas, de bens, de dinheiro... Tudo aquilo que causa preocupação e torna-se sonho ofusca a visão: o brilho do ouro pode acabar tirando a minha atenção do verdadeiro brilho do Reino;
3.      Quero viver na obscuridade, longe dos holofotes, sabendo-me servo do Senhor e das pessoas e sabendo que, quando me deixo envaidecer, acabo tomando o lugar que só a Deus pertence e posso tornar-me como Herodes, que morreu corroído por vermes, por não haver dado glória a Deus;
4.      Quero viver na alegria, alegria sincera, profunda e fraterna. Quero alegrar-me com as conquistas dos meus irmãos e irmãs. Quero alegrar-me com sua existência e estar feliz em sua presença pois eles são sinais de Deus a marcar a estrada da minha vida;
5.      Quero viver em comunhão, não apenas com os que moram comigo,mas com toda a humanidade. Estar em comunhão consiste em sorrir com quem está feliz e chorar com os que choram. Quero estar em comunhão, especialmente com os sofredores, com os pobres, com os enfermos, sabendo que servindo a eles estarei servindo ao próprio Jesus-Servo-Sofredor;
6.      Quero viver Igreja, como cristão fiel batizado, como consagrado ao serviço de Deus e ao seu testemunho. Isto significa dedicar-me a conhecer melhor a Igreja, estudar com afinco sua doutrina, estar em unidade com o Papa, com o meu bispo e presbitério, com o povo de Deus. Quero, na simplicidade, fazer tudo isto por simples e perfeito amor;
7.      Quero viver a gratuidade da doação de vida, dando-me completamente ao serviço do Reino, sem cobranças monetárias ou afetivas. Quero ser como vela, que se deixa queimar para ser luz;
8.      Quero viver na castidade de um coração sem divisão, procurando ver nas pessoas o reflexo de Deus e em seus corpos o Templo do Espírito Santo. Quero tratar a todos afetuosamente, com a ternura de Cristo, evitando atitudes que criem confusão interior e ao mesmo tempo evitando ter a frieza de uma pedra de gelo;
9.      Quero viver na disciplina, dando tempo para cada coisa, sem esquecer de nada: tempo para o estudo, para a oração, para a convivência fraterna, para a pastoral, para o lazer e para o descanso;

10.  Quero viver na intimidade com Deus, dando um tempo não curto à vida espiritual cotidiana: Liturgia das Horas, Santa Missa, estudo da Palavra de Deus, meditação... Como presbítero, desejo ser verdadeiramente um mestre de vida espiritual, ensinando, pelo testemunho de uma vida de intimidade com o Senhor, os caminhos da santidade.

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