Casório

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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Somos perseguidos?

Hoje, ao celebrarmos a memória dos Santos Protomártires da Igreja de Roma, cabe a nós uma reflexão, que se torna muito atual: estaremos, nós, cristãos, sofrendo nos tempos atuais perseguição, por motivos de nossa fé? Uma resposta a esta pergunta de grande gravidade mostra-se de resposta bastante complexa. É claro que a resposta se torna mais fácil quando o nosso olhar se volta para algumas partes do mundo, onde milhares de cristãos estão sendo dizimados, tendo suas Igrejas queimadas, sendo sequestrados, massacrados e muitas vezes mutilados ou até mesmo mortos, simplesmente pelo fato de serem cristãos. Mas... e aqui?
Vivemos em um país onde a liberdade religiosa é assegurada pela Constituição e temos plena liberdade de culto. Ontem mesmo pudemos ir às ruas celebrar o nosso Padroeiro, São Pedro, com a presença de autoridades civis e militares, além do apoio logístico do Poder Público, para que a Festa ocorresse de forma tranquila e segura. Então, a resposta é bastante tranquila... não somos perseguidos... Mas, será que é assim mesmo?
A liberdade religiosa é, de fato, uma realidade. Entretanto, é imperativa a constatação de que, embora o nosso país seja formado por um povo profundamente religioso, os tempos atuais estão totalmente contagiados por uma mentalidade secularizada, que vai, aos poucos, corroendo os valores mais profundos da vida humana e social, que foram sendo cultivados ao longo de séculos de tradição cristã. A negação desses valores fundamentais da vida humana coloca em risco a própria existência digna das pessoas, que deixam de ser vistas de um modo global, passando a ser tratadas apenas como peças numa engrenagem totalmente desumanizadora. Uma compreensão do ser humano sob este ponto de vista secularizado, levado a extremos, permite e até mesmo provoca o aparecimento de ideologias como o Nazismo e outras do mesmo nível, que foram e são causadoras de dor, sofrimento e morte.
A busca de conforto, alimento e saúde deve ser levada muito a sério. Todas as pessoas têm o direito a esses elementos para que encontrem a felicidade e a plena realização. Os planos de governos, bem como nossas instituições devem buscar servir especialmente aqueles que estão em situação de vulnerabilidade. Inclusive, é bom constatar, a Igreja Católica, desde as suas origens, sempre teve um cuidado muito especial pelos mais desfavorecidos. Porém, de nada adianta oferecer os confortos necessários para quem deles necessita se não oferecermos, também, o conforto da fé. Uma pessoa que vive numa situação limite de grave enfermidade ou avançada idade precisa do cultivo da sua fé para poder enfrentar os desafios que essa situação impõe, pois sem a fé, o que resta senão o desânimo, a desesperança e até mesmo o desespero? As sociedades mais desenvolvidas, seja no uso da tecnologia, seja no alto nível de vida social e econômica são as que têm os mais altos índices de suicídio, justamente porque as pessoas não cultivaram os valores espirituais, que dão sentido último à existência.

Portanto, a mentalidade secularizada não consegue compreender a importância da experiência da fé na vida das pessoas, especialmente naquelas que se encontram em situações limites. Nessa mentalidade, o trabalho da Igreja é visto como um entrave, que deve ser descartado. Somos olhados com certa desconfiança e uma fria indiferença. Talvez não sejamos mais torturados ou mortos e, portanto, não podemos nos considerar perseguidos. Mas a indiferença torna-se pior que a perseguição, pois impede qualquer forma de diálogo em vista da contribuição que o Cristianismo tem a oferecer na vida de tantas pessoas.

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