Amor missionário
1.
“Quem, um dia, experimentou o Reino de Deus
e se deixou encantar por ele, perdeu o direito de viver descansado”. Esta frase
de São Bernardo de Claraval atravessou os séculos e chegou até nós. Somos
convidados, agora, a um olhar para a figura do Apóstolo São Paulo. Paulo (que
antes do Batismo tinha o nome de Saulo) era um jovem fariseu, discípulo de
Gamaliel. Homem extremamente culto tinha, porém, um temperamento bastante forte
e, de certo modo, difícil. Como bom fariseu, detestava Jesus e seus seguidores,
embora não conste que eles tenham convivido. Seu encontro com Jesus se deu numa
visão, quando estava indo a Damasco para perseguir e prender os cristãos.
Convertido com este encontro com o Ressuscitado, Paulo torna-se cristão e, logo
a seguir, missionário em todos os cantos do Império Romano. Paulo foi o maior
missionário que a Igreja teve em seus quase vinte e um séculos de existência.
2.
Se o ódio havia feito de Paulo um
perseguidor com forte convicção, o Amor faz de Paulo um missionário. Ele não
mede esforços por fazer o Evangelho ser divulgado nos mais distantes cantos,
mesmo à custa de cansativas viagens e de perigos constantes. “Ai de mim se não
anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16)! Paulo tem plena consciência da missão
recebida e da sua imensa responsabilidade.
3.
Nós, um dia, fomos batizados. Recebemos a
Trindade dentro de nós e nos tornamos templos de Deus. Todas estas Graças nos
colocaram na mesma situação de Paulo. “Somos todos batizados; somos todos
missionários”! Por isso, o Amor de Deus em nós nos impele a ir ao encontro dos
outros para anunciar também a eles o Amor de Deus manifestado por meio de
Cristo. E é muito importante saber que a correspondência a essa Graça vai
tornar-se, para nós, alegria plena e
Salvação eterna.
4.
Dentro dos limites de nossa comunidade
eclesial existem pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer Jesus
Cristo e a sua proposta salvadora? A essas pessoas somos enviados a levar o
Amor de Deus e a proposta de Jesus. É claro que não iremos cair numa atitude
proselitista, mas dialogal, apresentando Jesus como aquele que tem uma proposta
de vida e de felicidade plena para todos. Num mundo onde cada vez mais pessoas
vivem a tristeza da solidão, dizer a elas que a nossa comunidade cristã está
aberta para acolher e amar a todos os que chegarem torna-se uma verdadeira
urgência.
5.
O Bem Aventurado Charles de Foucauld,
falecido há cem anos, afirmava que nós, cristãos, precisamos “gritar o
Evangelho com a vida”. O que isso significa para uma Paróquia e para uma
comunidade eclesial? Significa que precisamos vivenciar de tal modo a dimensão
da acolhida e do Amor que todos os que achegarem até nós deverão ficar
encantados e atraídos pelo Deus que nos chama e nos torna Um. Assim
sendo, nós precisamos ser
uma Igreja de portas abertas, pronta para acolher a todos. Precisamos ser uma
Igreja em Saída, pronta para botar o pé no barro, sujando nossos pés, em busca
das ovelhas dispersas. Não somos um clubinho, uma associação, nem mesmo uma família,
porque esses conceitos são fechados. É claro que é agradável conviver com os
irmãos e irmãs de caminhada. É fundamental que tenhamos momentos assim. Mas, o
Senhor nos impele para irmos para águas mais profundas, o que vai exigir de nós
sairmos de nosso comodismo e de nossa inércia, para levarmos adiante a Boa
Notícia do Evangelho. Façamos isso por amor a Deus e por amor aos irmãos e
irmãs que tanto precisam disso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário