Casório

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domingo, 11 de junho de 2017

Amor missionário

Amor missionário

1.      “Quem, um dia, experimentou o Reino de Deus e se deixou encantar por ele, perdeu o direito de viver descansado”. Esta frase de São Bernardo de Claraval atravessou os séculos e chegou até nós. Somos convidados, agora, a um olhar para a figura do Apóstolo São Paulo. Paulo (que antes do Batismo tinha o nome de Saulo) era um jovem fariseu, discípulo de Gamaliel. Homem extremamente culto tinha, porém, um temperamento bastante forte e, de certo modo, difícil. Como bom fariseu, detestava Jesus e seus seguidores, embora não conste que eles tenham convivido. Seu encontro com Jesus se deu numa visão, quando estava indo a Damasco para perseguir e prender os cristãos. Convertido com este encontro com o Ressuscitado, Paulo torna-se cristão e, logo a seguir, missionário em todos os cantos do Império Romano. Paulo foi o maior missionário que a Igreja teve em seus quase vinte e um séculos de existência.
2.      Se o ódio havia feito de Paulo um perseguidor com forte convicção, o Amor faz de Paulo um missionário. Ele não mede esforços por fazer o Evangelho ser divulgado nos mais distantes cantos, mesmo à custa de cansativas viagens e de perigos constantes. “Ai de mim se não anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16)! Paulo tem plena consciência da missão recebida e da sua imensa responsabilidade.
3.      Nós, um dia, fomos batizados. Recebemos a Trindade dentro de nós e nos tornamos templos de Deus. Todas estas Graças nos colocaram na mesma situação de Paulo. “Somos todos batizados; somos todos missionários”! Por isso, o Amor de Deus em nós nos impele a ir ao encontro dos outros para anunciar também a eles o Amor de Deus manifestado por meio de Cristo. E é muito importante saber que a correspondência a essa Graça vai tornar-se, para nós, alegria plena  e Salvação eterna.
4.      Dentro dos limites de nossa comunidade eclesial existem pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer Jesus Cristo e a sua proposta salvadora? A essas pessoas somos enviados a levar o Amor de Deus e a proposta de Jesus. É claro que não iremos cair numa atitude proselitista, mas dialogal, apresentando Jesus como aquele que tem uma proposta de vida e de felicidade plena para todos. Num mundo onde cada vez mais pessoas vivem a tristeza da solidão, dizer a elas que a nossa comunidade cristã está aberta para acolher e amar a todos os que chegarem torna-se uma verdadeira urgência.
5.      O Bem Aventurado Charles de Foucauld, falecido há cem anos, afirmava que nós, cristãos, precisamos “gritar o Evangelho com a vida”. O que isso significa para uma Paróquia e para uma comunidade eclesial? Significa que precisamos vivenciar de tal modo a dimensão da acolhida e do Amor que todos os que achegarem até nós deverão ficar encantados e atraídos pelo Deus que nos chama e nos torna Um. Assim sendo, nós precisamos ser uma Igreja de portas abertas, pronta para acolher a todos. Precisamos ser uma Igreja em Saída, pronta para botar o pé no barro, sujando nossos pés, em busca das ovelhas dispersas. Não somos um clubinho, uma associação, nem mesmo uma família, porque esses conceitos são fechados. É claro que é agradável conviver com os irmãos e irmãs de caminhada. É fundamental que tenhamos momentos assim. Mas, o Senhor nos impele para irmos para águas mais profundas, o que vai exigir de nós sairmos de nosso comodismo e de nossa inércia, para levarmos adiante a Boa Notícia do Evangelho. Façamos isso por amor a Deus e por amor aos irmãos e irmãs que tanto precisam disso.

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