Quando Israel
voltou do Exílio, após cerca de setenta anos na Babilônia, encontrou uma
realidade devastadora. Não havia ficado pedra sobre pedra. Com a ajuda do alto,
com o encorajamento de vários profetas e a dedicação de todos, a reconstrução
da Cidade Santa e do Templo foi possível, embora não tenha sido fácil. Aquela
geração, construída no sofrimento, aprendeu a viver em maior fidelidade à
Aliança.
Nós podemos
dizer que estamos vivendo em tempos de exílio, onde, por causa do coronavírus e
do necessário distanciamento social, ficamos impedidos de ter, em nossas
comunidades cristãs, a possibilidade de continuar com nossas atividades
litúrgicas, catequéticas e evangelizadoras. Tivemos que descobrir um “cristianismo
virtual”, vivenciado de modo individual, no máximo com a família. Rompeu-se,
assim, com uma das mais belas características do Cristianismo, que é a vivência
comunitária da fé, expressa na aglomeração de nossas Igrejas. Rompeu-se com a
mais significativa tradição cristã de dedicar o domingo para celebrar a Páscoa
semanal, com todos reunidos ao redor da Mesa da Palavra e da Mesa da
Eucaristia. Assustados, recolhidos, não sabemos quando e nem se voltaremos a
ser como era antes...
É claro que
esperamos que logo tudo isso passe. Porém, em que condições encontraremos
nossas comunidades paroquiais, nossos movimentos e outras formas de organização
eclesial? Assim como Jerusalém e o Templo, iremos estar em frangalhos, em todos
os níveis, desde o econômico e organizacional até mesmo em termos de pastoral e
ação evangelizadora. Iremos perder muita gente que se irá se acostumar com um
catolicismo de redes sociais, contentando-se em “assistir Missa” pelo Facebook
e achando que mandar mensagenzinhas doces e melosas já é suficiente para se ser
um bom cristão. Muitos, depois de se tornarem católicos virtuais, irão
gradativamente cair numa total indiferença religiosa, até mesmo porque
cristianismo sem comunidade torna-se um cristianismo sem identidade. Para eles,
Jesus será apenas uma leve lembrança de um tempo que foi bom, mas que ficou
para trás, num passado não muito distante...
Assim como
Jerusalém e o Templo foram reconstruídos pelo “resto de Israel”, nossa Igreja será
reconstruída pelo resto, pelos poucos e corajosos que irão perseverar, apesar
de todos os desafios e dores que este tempo presente nos impõe. Que possamos
nos alentar na fidelidade à oração pessoal e à leitura orante da Palavra, na
certeza de que o Senhor está conosco e não nos desamparará.
