Casório

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terça-feira, 20 de março de 2018

Lições da dor

     
 Acabei de fazer as exéquias do jovem Lucas, estudante do Curso de Engenharia Naval da FURG, natural de São Paulo, que neste final de semana desapareceu, sendo encontrado nas pedras dos molhes da Barra. Foi uma das Exéquias mais difíceis que eu celebrei na minha vida de padre. Celebrar as Exéquias de uma pessoa que morre após uma longa vida ou, ao término de uma enfermidade, reveste-se de sentimentos de gratidão e serenidade. No caso de um jovem, que morre de maneira abrupta, o drama é infinitamente maior.
      O desaparecimento deste jovem envolveu toda a nossa cidade. Colegas, amigos, a Universidade, a cidade como um todo, estava envolvida na angústia de seu desaparecimento e na esperança de reencontrá-lo vivo e bem. Todos nós nos tornamos uma extensão da família dele. Poderíamos dizer, como fazem nas redes sociais: #somostodoslucas. Eu não o conhecia, mas, durante todo o final de semana procurava notícias sobre o seu paradeiro e rezava nas Missas por ele. 
      Não adianta agora procurarmos respostas a respeito do porquê do Lucas ter feito o que fez. A pergunta é outra: Para quê? O que aprendemos com esta dramática história que estamos vivendo? Acredito que a corrente de solidariedade que se estabeleceu nas buscas pelo Lucas não pode ser perdida. Assim como ele, inúmeros meninos e meninas deixam suas cidades e vêm para cá a fim de estudar na FURG, cheios de sonhos, projetos e esperanças. Trazem, porém, um coraçãozinho apertado, com medos, incertezas e uma grande saudade de casa. Nós precisamos acolhê-los, abrir para eles os nossos braços e assim sermos essa extensão das suas famílias. Nossas Universidades, nossas Igrejas, nós, como Rio Grande, precisamos ter a sensibilidade para perceber os sinais de angústia e depressão nos nossos jovens, para ajudá-los e socorrê-los quando necessário.
        Por outro lado, é preciso que nossos jovens universitários saibam que não são "super homem" ou "super mulheres" e busquem ajuda em episódios de depressão e dificuldades. Busquem ajuda nos colegas e amigos! Nossas Igrejas sejam este espaço de acolhida, de escuta e de amor. Nossa Universidade oferece instâncias para  uma ajuda mais especializada. Não fiquem sozinhos! 
       Uma morte, como a do Lucas, serve para que estejamos atentos, sensíveis e solidários, para que não se repita com outros jovens. Pedimos a Deus que acolha a sua alma com Misericórdia e o envolva com o seu Amor. Queremos ser solidários com sua mãe e demais familiares. Contem todos com nossa oração e amizade.

6 comentários:

  1. Muito triste, Padre Gil! Obrigada por suas palavras. Desejo que muitos lhe prestem atenção.

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  2. Obrigada, padre Gil por suas palavras de conforto à todos!

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  3. Perfeitas suas colocações! E, elas servem de reflexão para todos nós que de alguma forma earivemos envolvidos ou tivemos conhecimento desse triste episódio.
    Que o Lucas, seus familiares e amigos sejam envolvidos em energias de muito amor e muita Luz!💫👐💕

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  4. Perfeito! Um texto cheio de sentimentos e verdade!Muito obrigada , padre!

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  5. Perfeito Um texto cheio de sentimentos e verdade! Muito obrigada, padre!

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  6. Querido Padre Gil, agradeço imensamente pelas sábias palavras. Somente agora descobri este post, ainda estamos nos restabelecendo desta imensa perda. Vivemos um dia de cada vez, sempre em oração e pedindo muita luz ao Lucas.
    Agradeço toda a mobilização e solidariedade de todos, infelizmente não teve um final feliz, mas agradeço à Deus por ter encontrado seu corpo.
    Gratidão!
    Tatiana Albuquerque de Camargo
    (mãe do Lucas Camargo de Britto)

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