Casório

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domingo, 12 de julho de 2020

Uma Igreja em tempos de exílio


Quando Israel voltou do Exílio, após cerca de setenta anos na Babilônia, encontrou uma realidade devastadora. Não havia ficado pedra sobre pedra. Com a ajuda do alto, com o encorajamento de vários profetas e a dedicação de todos, a reconstrução da Cidade Santa e do Templo foi possível, embora não tenha sido fácil. Aquela geração, construída no sofrimento, aprendeu a viver em maior fidelidade à Aliança.
Nós podemos dizer que estamos vivendo em tempos de exílio, onde, por causa do coronavírus e do necessário distanciamento social, ficamos impedidos de ter, em nossas comunidades cristãs, a possibilidade de continuar com nossas atividades litúrgicas, catequéticas e evangelizadoras. Tivemos que descobrir um “cristianismo virtual”, vivenciado de modo individual, no máximo com a família. Rompeu-se, assim, com uma das mais belas características do Cristianismo, que é a vivência comunitária da fé, expressa na aglomeração de nossas Igrejas. Rompeu-se com a mais significativa tradição cristã de dedicar o domingo para celebrar a Páscoa semanal, com todos reunidos ao redor da Mesa da Palavra e da Mesa da Eucaristia. Assustados, recolhidos, não sabemos quando e nem se voltaremos a ser como era antes...
É claro que esperamos que logo tudo isso passe. Porém, em que condições encontraremos nossas comunidades paroquiais, nossos movimentos e outras formas de organização eclesial? Assim como Jerusalém e o Templo, iremos estar em frangalhos, em todos os níveis, desde o econômico e organizacional até mesmo em termos de pastoral e ação evangelizadora. Iremos perder muita gente que se irá se acostumar com um catolicismo de redes sociais, contentando-se em “assistir Missa” pelo Facebook e achando que mandar mensagenzinhas doces e melosas já é suficiente para se ser um bom cristão. Muitos, depois de se tornarem católicos virtuais, irão gradativamente cair numa total indiferença religiosa, até mesmo porque cristianismo sem comunidade torna-se um cristianismo sem identidade. Para eles, Jesus será apenas uma leve lembrança de um tempo que foi bom, mas que ficou para trás, num passado não muito distante...
Assim como Jerusalém e o Templo foram reconstruídos pelo “resto de Israel”, nossa Igreja será reconstruída pelo resto, pelos poucos e corajosos que irão perseverar, apesar de todos os desafios e dores que este tempo presente nos impõe. Que possamos nos alentar na fidelidade à oração pessoal e à leitura orante da Palavra, na certeza de que o Senhor está conosco e não nos desamparará.

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