Casório

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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Polarização e diálogo


Passados alguns dias de toda a polêmica acontecida em nossa cidade – polêmica essa ainda não resolvida e que terá, infelizmente, desdobramentos – acredito ser importante uma reflexão sensata, diante do fenômeno da polarização política, ideológica e até mesmo religiosa, que tende a se intensificar com a aproximação das próximas eleições gerais no nosso País, o que envolve o microcosmo de nossa região.
Em um primeiro momento, acredito que seja triste constatar radicalização nos dois polos em confronto. Essa constatação é triste, porque na verdade se tornou uma “reedição” do clima de Guerra Fria, existente em várias décadas do século passado. Efeito Trump, talvez? Pode ser... É bom lembrar que a Igreja Católica, ao longo das últimas décadas, tem feito um esforço muito grande na direção de um diálogo com o mundo. O Concílio Vaticano II (1962-1965) possibilitou uma crescente possibilidade diálogo e de parceria até mesmo com os que pensam diferentes (o Diálogo Ecumênico, o Diálogo Interreligioso, uma relação com os diferentes povos e ideologias...). Todos os Papas, de São João XXIII até Francisco, procuraram se empenhar em tornar a Igreja uma parceira com o mundo, na busca dos valores da dignidade humana. Isso não significou, de modo algum, na renúncia daquilo que é essencial e característico da nossa fé cristã e da nossa identidade eclesial. Graças a Deus, muitos caminhos que foram sendo traçados pela Igreja ao longo dessas últimas décadas são definitivos e sem volta.
Cabe a nós, cristãos, dar ao nosso mundo polarizado o testemunho profético da unidade e do diálogo. Devemos ter o cuidado de evitar radicalismos de ambos os polos, pois eles são fundamentalistas e não expressam o Mandamento Novo de Jesus, do Amor a Deus e ao próximo. Podemos até mesmo ter nossas posições políticas – afinal esse é o papel especialmente dos leigos e leigas – mas sem esquecer jamais de que no lado oposto existem pessoas, com os seus sonhos e suas crenças, que possuem o direito de existir, de pensar e expor o seu pensamento. Debater as ideias e conceitos é bom, justo e necessário. Mas, sempre dentro de um diálogo respeitoso, pois no outro está presente o Senhor.

Assim sendo, tenhamos bom senso. Sejamos construtores da nova civilização do Amor, tão pedida e buscada pelo nosso Beato Paulo VI. Essa civilização do Amor só será possível se for construída de dentro para fora – de dentro do coração humano para fora, para as suas atitudes e posturas – e que nos tornará pessoas melhores e dóceis a Deus e ao próximo. Não se torna mais leve viver assim? 

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