Passados
alguns dias de toda a polêmica acontecida em nossa cidade – polêmica essa ainda
não resolvida e que terá, infelizmente, desdobramentos – acredito ser
importante uma reflexão sensata, diante do fenômeno da polarização política,
ideológica e até mesmo religiosa, que tende a se intensificar com a aproximação
das próximas eleições gerais no nosso País, o que envolve o microcosmo de nossa
região.
Em um
primeiro momento, acredito que seja triste constatar radicalização nos dois
polos em confronto. Essa constatação é triste, porque na verdade se tornou uma “reedição”
do clima de Guerra Fria, existente em várias décadas do século passado. Efeito
Trump, talvez? Pode ser... É bom lembrar que a Igreja Católica, ao longo das
últimas décadas, tem feito um esforço muito grande na direção de um diálogo com
o mundo. O Concílio Vaticano II (1962-1965) possibilitou uma crescente
possibilidade diálogo e de parceria até mesmo com os que pensam diferentes (o
Diálogo Ecumênico, o Diálogo Interreligioso, uma relação com os diferentes
povos e ideologias...). Todos os Papas, de São João XXIII até Francisco,
procuraram se empenhar em tornar a Igreja uma parceira com o mundo, na busca
dos valores da dignidade humana. Isso não significou, de modo algum, na
renúncia daquilo que é essencial e característico da nossa fé cristã e da nossa
identidade eclesial. Graças a Deus, muitos caminhos que foram sendo traçados
pela Igreja ao longo dessas últimas décadas são definitivos e sem volta.
Cabe a nós,
cristãos, dar ao nosso mundo polarizado o testemunho profético da unidade e do
diálogo. Devemos ter o cuidado de evitar radicalismos de ambos os polos, pois
eles são fundamentalistas e não expressam o Mandamento Novo de Jesus, do Amor a
Deus e ao próximo. Podemos até mesmo ter nossas posições políticas – afinal esse
é o papel especialmente dos leigos e leigas – mas sem esquecer jamais de que no
lado oposto existem pessoas, com os seus sonhos e suas crenças, que possuem o
direito de existir, de pensar e expor o seu pensamento. Debater as ideias e
conceitos é bom, justo e necessário. Mas, sempre dentro de um diálogo
respeitoso, pois no outro está presente o Senhor.
Assim
sendo, tenhamos bom senso. Sejamos construtores da nova civilização do Amor,
tão pedida e buscada pelo nosso Beato Paulo VI. Essa civilização do Amor só
será possível se for construída de dentro para fora – de dentro do coração
humano para fora, para as suas atitudes e posturas – e que nos tornará pessoas
melhores e dóceis a Deus e ao próximo. Não se torna mais leve viver assim?

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