Após as alegrias do Jubileu da Diocese, começamos uma nova caminhada, que vai envolver de modo decisivo a Igreja Católica no mundo todo: o Sínodo convocado pelo Papa Francisco para acontecer no ano de 2023. Este Sínodo, porém, tem uma novidade: vai envolver todas as comunidades, paróquias, movimentos e serviços pastorais de todas as dioceses do mundo. É um “caminho sinodal” que iremos percorrer juntos. O lema do Sínodo é “PARA UMA IGREJA SINODAL: COMUNHÃO, PARTICIPAÇÃO E MISSÃO”. Nossa primeira tarefa é desde já irmos rezando pelo êxito de toda esta trajetória, na qual todos iremos nos envolver. Irei, a cada dia, repassando a vocês informações importantes, para que possamos todos participar ativamente desse momento tão importante para a Igreja.
Uma das grandes características do Cristianismo é viver a fé de modo comunitário e coletivo. Jesus escolhe um grupo de doze discípulos para que, convivendo com Ele, pudessem juntos fazer essa caminhada de fé, formando o núcleo comunitário que deu origem à Igreja. Por isso, a nossa vocação como cristãos é justamente caminhar juntos na direção do Reino de Deus. Não posso querer ser cristão sozinho, isolado dos demais, longe dos outros. A proposta do Sínodo é justamente essa: redescobrir como é maravilhoso poder viver em unidade a nossa fé.
Na Igreja, nós temos diversas instâncias de participação sinodal, onde somos chamados a atuar de forma muito concreta, como, por exemplo, os conselhos de paróquias ou comunidade (CPP = Conselho de Pastoral da Paróquia ou CAEP = Conselho de Assuntos Econômicos da Paróquia), instâncias de coordenação de Movimentos ou Pastorais. Mais ainda: todos os grupos que fazemos parte na Igreja são expressão de sinodalidade, pois neles nós podemos ajudar a pensar e decidir atividades e formas concretas de trabalho de evangelização e missão. Na Igreja, ninguém trabalha sozinho, mas sempre em grupos ou comunidades.
A experiência de poder trabalhar junto em grupos faz com que a vida na Igreja seja algo enriquecedor, pois uns ajudam os outros na sua caminhada cristã, colocando os seus dons pessoais a serviço de todos. Vamos, assim, descobrindo que ser cristão não é algo solitário e restrito apenas à relação eu-Deus, mas que envolve eu-Deus-irmãos na fé. Junto com a comunidade eu vou descobrindo a beleza dessa experiência de vivência do Mandamento do Amor, o que faz com que a Igreja seja desde já uma antecipação do Paraíso.
A experiência de Concílios e Sínodos
é muito antiga na Igreja. Se olharmos no capítulo quinze dos Atos dos
Apóstolos, encontramos ali a realização do chamado “Concílio de Jerusalém”,
onde foi rezado e definido critérios para o acolhimento na Igreja de pessoas
vindas do paganismo e que desejavam ser cristãs. Nos primeiros séculos, vários
Concílios foram convocados para definições dos dogmas cristãos, assim como
Sínodos regionais. Um dos frutos do Concílio Vaticano II foi a decisão do Papa
São Paulo VI de criar o costume de se convocar Sínodos ordinários dos Bispos
para ajudar o Papa na reflexão de temas importantes e atuais para a vida da Igreja.
O Papa Francisco, com a convocação do Sínodo de 2023, deseja que essa instância
de reflexão seja consequência de um “processo sinodal”, onde toda a Igreja (comunidades,
paróquias, movimentos, pastorais, dioceses e nações) se tornem participantes,
sendo consultadas e dando suas opiniões, sugestões e ideias, para que todos se
sintam parte efetiva na vida eclesial e na Evangelização. Um manual com um questionário
foi enviado para todas as Dioceses do mundo. Que possamos participar desse
processo sinodal com alegria e generosidade. Este passo será fundamental para a
Evangelização que precisará ser feita na pós-pandemia.
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