Como, às vezes, nós temos uma ideia errada de Deus, como se Ele fosse alguém distante, longínquo e totalmente frio diante de nossas dores e cansaços. Nos nos esquecemos que, pelo Mistério da Encarnação, Ele se rebaixou a nossa condição, fazendo-se exatamente um de nós, vivenciando as nossas condições, menos o pecado. Foi um bebezinho, que deve ter tido dor de barriga, dor de dente, passou frio e fome, como qualquer outro bebê; foi um menino que deve ter se machucado, jogando e brincando com seus amiguinhos; foi um jovem, foi um homem adulto... Tudo isso para poder dizer que as nossas dores e cansaços não lhe são indiferentes, pois Ele os conhece todos.
Portanto, podemos colocar literalmente em suas mãos tudo aquilo que nos pré-ocupa, tudo aquilo que nos incomoda e faz sofrer, tudo aquilo que nos cansa... E entregar é exatamente isso: entregar, sem oferecer resistência, sem querer ficar com nada. Isso exige o reconhecimento de que, sem Ele, nada conseguimos, mas, com Ele, tudo se torna possível.
Outra consequência disso é o fato de que precisamos cultivar a fineza de alma e a sensibilidade para não ficarmos fechados em nossas pequenas dores. Olhar para o outro e suas dores tira a nossa atenção dos nossos problemas. Além de sermos sinais da presença de Cristo na vida dos outros, quando mudamos o foco de nossa atenção de nós para eles, iremos perceber que, quase que milagrosamente, os nossos problemas diminuem e se resolvem. A medida da minha generosidade vai permitir uma sempre maior generosidade de Jesus. Sejamos, pois, a mão de Cristo que afaga o outro, que se estende às suas dores e à sua vida; sejamos os pés de Cristo, que vai ao encontro dos sofredores; sejamos o coração de Cristo que ama e sente compaixão!
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